Djokovic outra vez detido na Austrália. Como acabará a novela?

Tenista com visto revogado e detido até ir a tribunal explicar-se e ouvir o juiz dizer se é ou não deportado. Autoridades australianas defendem que "é um risco para a saúde pública". Presença incerta no Open da Austrália, que terá João Sousa como lucky loser.

Barrado à chegada ao aeroporto de Melbourne no dia 6. Deportado e detido logo de seguida. Libertado pelo tribunal à condição no dia 11. Deportado e detido pela segunda vez hoje (dia 14). A novela de Novak Djokovic na Austrália ainda terá, pelo menos, mais um episódio com mais uma ida a tribunal no domingo às 08.00 (22.00 de sábado, em Lisboa), e pode terminar com a deportação e a consequente ausência no Open da Austrália em 24 horas. E como recorreu da decisão o tenista pode ficar impedido de voltar ao país do cangurus durante três anos.

O tenista tinha de se apresentar às autoridades federais australianas, por ordem do tribunal às 21.00 desta quinta-feira para ficar sob detenção. O que já aconteceu segundo o jornal australiano The Age. Djokovic apresentou-se às 22.05 e recebeu ordem de detenção, às 22.36, depois de prestar declarações aos agentes da Imigração. Ficará "num local desconhecido do grande público" para que seja evitado "um circo" mediático idêntico ao da semana passada, até à audiência final, em que o juiz decidirá se é ou não deportado.

Esta quinta-feira, assim que o o ministro da Imigração, Alex Hawke, anunciou o cancelamento do visto de Djokovic por motivos de "interesse público", uma vez que o número um mundial não está vacinado contra a covid-19 e pode representar "um risco para a saúde pública", os advogados do sérvio entraram em ação e conseguiram travar em tribunal a deportação imediata pela segunda vez em oito dias.

A equipa legal do número 1 do ténis mundial argumentou em tribunal que a questão é mais política que legal. Segundo os advogados a deportação decretada não se deve ao facto do sérvio não cumprir as leis de entrada no país, mas sim porque o governo considera que a permanência dele na Austrália irá alimentar o movimento anti-vacinação e criar - o tenista é conhecido por ser anti-vacinas.

Para Scott Morrison, primeiro-ministro da Austrália, os sacrifícios que a população australiana fez desde o começo da pandemia "têm de ser protegidos" e justificam a revogação do visto. E não demorou a que o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, o questionasse via Instagram: "Porque o está a maltratar? Porque está a atacar não apenas a ele, mas também a sua família e toda a nação."

O visto foi revogado outra vez esta quinta-feira, oito dias depois de ter sido anunciada a deportação de Djokovic pela primeira vez, por irregularidades no visto e desconfiança face à isenção médica, que lhe permitiu entrar em Melbourne sem ser vacinado contra a covid-19. Entre mentiras admitidas em comunicados no Instagram e omissões, como ter estado infetado com covid-19 e não ter feito isolamento, o cenário não é nada favorável ao sérvio, que procurava fazer história no court, mas depende agora do outro court (tribunal).

O primeiro Grand Slam do ano começa na segunda-feira. Com ou sem Djokovic é a questão. Certo é que terá João Sousa (número 140 do ranking ATP). O português foi repescado para o quadro principal de singulares do Open da Austrália e é como lucky loser que medir forças na primeira ronda com o italiano Jannik Sinner, número 11 mundial.

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