Autogolo e penálti colocam Sporting na final... com o Benfica

Leões estiveram a perder, mas deram a volta ao marcador e marcaram encontro com o grande rival. Dérbi de sábado decide campeão de inverno e Rúben Amorim pode fazer história.

Isaura Almeida
© Álvaro Isidoro / Global Imagens

O Sporting venceu esta quarta-feira o Santa Clara (2-1) e vai defender o título de campeão de inverno frente ao grande rival. No sábado, o clube mais titulado (Benfica) e a pessoa com mais troféus (Rúben Amorim) vão lutar pela conquista da Taça da Liga, no Municipal de Leiria.

Será a segunda final entre os dois rivais de Lisboa, depois da jogada em 2009, que acabou com o jogador Amorim a levar o troféu para o museu da Luz. Um jogo marcado pela arbitragem polémica, que foi decidido nas grandes penalidades e acabou com o leão Pedro Silva a atirar a medalha ao chão e a chamar ladrão ao árbitro Lucílio Baptista.

Polémicas à parte a Taça da Liga parece feita à medida de Amorim. Ninguém tem tantos troféus como ele (seis como jogador e dois como treinador). De leão ao peito vai tentar erguer o terceiro troféu em três anos, algo que só Jorge Jesus tinha conseguido até agora.

Surpresas no onze leonino

Ambas as equipas tinham baixas importantes para esta partida - Coates (Uruguai) e Morita (Japão) estão ao serviço das respetivas seleções - e por isso isso as mexidas no onze inicial estavam previstas na estratégia de cada treinador. Mas Mário Silva e Rúben Amorim alinharam por filosofias diferentes. O técnico dos açorianos manteve a aposta no guardião suplente, Ricardo Fernandes, que costuma jogar nas Taça, mas o treinador dos leões preferiu trocar Virgínia por Adán, além de deixar Paulinho e Matheus Nunes no banco e entrar com Ugarte e Palhinha juntos.

Criar as habituais dinâmicas com tantas mexidas estruturais era a grande questão leonina. Os minutos iniciais mostraram um leão a jogar em pressão alta e a condicionar a construção do Santa Clara, que até foi a primeira equipa a criar um lance de golo, por Cryzan.

Com os laterais projetados e à espera de criar movimentos de rotura nas costas da defesa adversária, a equipa de Alvalade criou frisson na área açoriana com um cruzamento tenso de Nuno Santos, após excelente passe de Matheus Reis, mas Villanueva limpou a área e o perigo passou. Durante vários minutos o jogo não passou disto. O Sporting a comandar e o Santa Clara a tentar manter a bola longe da área. O recurso à falta ainda deu aos leões algumas oportunidades para se adiantarem de bola parada, mas sem um ponta de lança de referência na área a missão era hercúlea até para os centrais.

Aos 31 minutos os açorianos copiaram a estratégia e foram mais bem sucedidos. Ricardinho arrancou um livre direto num Lance com Ugarte e Lincoln bateu Adán com mestria. O golaço do brasileiro penalizou alguma displicência do guarda-redes do Sporting que pediu apenas dois homens na barreira perante um especialista nas bolas paradas. E assim, dezanove dias depois de o ter feito para o campeonato, naquela que foi a primeira derrota entre portas do campeão esta época, Lincoln voltou a bater o espanhol.

Autogolo, intervalo, expulsão e penálti...

Uma meia surpresa tendo em conta a supremacia leonina em campo. A reação da equipa de Amorim foi sufocante até conseguirem um empate com uma ajuda do central Villanueva, antes do intervalo e já depois de um golo anulado a Esgaio. O descanso chegou logo depois de Cryzan mandar uma bola ao poste. Azar para os estreantes em meias finais, que podiam ter ido para os balneários em vantagem.

Amorim contava com a experiência (além da mais valia desportiva evidente) para dar a volta ao resultado no segundo tempo. No 11 do Sporting havia nove jogadores que já tinham vencido a Taça da Liga contra um no Santa Clara - Sagna, pelo Moreirense, em 2016-17.

Sem Daniel Bragança (baixa de última hora devido a um problema no joelho), o treinador do Sporting mandou aquecer Paulinho e Matheus Nunes ao intervalo, mas voltou com os mesmos para o segundo tempo. Tal como Mário Silva. E não demorou muito até à cambalhota no marcador. Aos 59 minutos Rui Costa fez-se a um lance com Matheus Reis e acabou por impedir que a bola fosse para a baliza com braço. Um daqueles lances que tem sempre mais do que um ponto de vista e promete dar que falar nos cafés. Nuno Nobre com ajuda do VAR expulsou Rui Costa e marcou grande penalidade. Chamado à marca dos 11 metros, Sarabia fez o 2-1.

Pela primeira vez na frente do marcador e a jogar contra dez, Amorim mexeu na equipa e de forma surpreendente. Tirou Palhinha (pode estar de saída de Alvalade) e Pedro Gonçalvez para fazer entrar Paulinho e Matheus Nunes, os tais que ao intervalo mandou aquecer. O treinador leonino já tinha a substituição pensada.

Do outro lado, a expulsão obrigou Mário Silva a refrescar a equipa com Nené e Mohebi e jogou os últimos dez minutos com apenas três defesas à procura de levar o jogo para o desempate por grandes penalidades, mas não conseguiu e o Sporting garantiu a sexta final da prova, a quarta nos últimos cinco anos e a segunda seguida com Rúben Amorim.

VEJA OS GOLOS

0-1 Lincoln (Santa Clara)

1-1 Villanueva (Santa Clara, autogolo)

1-2 Sarabia (Sporting)

isaura.almeida@dn.pt