Portugal volta a perder com a Espanha na final do Europeu de futsal feminino

Na reedição da final de 2019, as espanholas voltaram a levar a melhor, sagrando-se bicampeãs da Europa. Ana Azevedo foi eleita a melhor jogadora da prova. Federação Portuguesa de Futebol felicitou as vice-campeãs, destacando o talento e o trajeto.

DN
© UEFA

Portugal perdeu este domingo a final do Europeu de futsal feminino nas grandes penalidades. Com possibilidade de vingar a derrota de 2019, a seleção nacional voltou a perder diante da campeã e líder do ranking europeu. Depois de terem estado a ganhar por 2-0 na primeira parte e de terem conseguido um empate (3-3) no prolongamento, as portuguesas só marcaram um penálti, contra quatro das espanholas (1-4), que assim festejaram no Pavilhão Multiusos de Gondomar pela segunda vez em quatro anos.

A Ucrânia fechou o pódio do Campeonato da Europa, após ter batido a Hungria no jogo de atribuição do 3º e 4º lugar (2-1).

A seleção nacional até foi a primeira a marcar. Um golo da capitã Ana Azevedo - acabou eleita melhor jogadora do europeu aos 35 anos - colocou as portuguesas em vantagem. E já depois de Ana Catarina mostrar porque é considerada a melhor guarda-redes do Mundo e evitar o empate da Espanha, Pisko fez o 2-0. Antes do intervalo as espanholas reduziram para 2-1, por Ale de Paz. Um golo sofrido a 30 segundos do intervalo fez abrir a pestana para o segundo tempo, mas não impediu o empate espanhol. A mesma Ale de Paz fez o 2-2 a cerca de cinco minutos do fim, levando o jogo para prolongamento.

Depois a cambalhota no marcador aconteceu mesmo com um golo de María Sanz (2-3). Pela primeira vez em desvantagem no jogo, Portugal teve momentos de desinspiração pura que comprometeram as aspirações de ser campeão da Europa. A equipa de Luís Conceição ainda chegou ao empate. A jogar como guarda-redes avançada, Pisko voltou a marcar (3-3) e deu à equipa a possibilidade de decidir tudo nas grandes penalidades.... onde o desacerto português foi desconcertante e decisivo. Só um penálti marcado contra quatro das espanholas, que agora são bicampeãs mundiais.

As espanholas Peque, Amelia Romero, Mayte e Irene Córdoba converteram com sucesso os castigos máximos, enquanto a guarda-redes Silvia defendeu os remates das portuguesas Ana Azevedo e Ana Pires, decidindo o encontro, apesar do tiro certeiro de Carla Vanessa.

Desde que a Espanha venceu Portugal no primeiro europeu de futsal feminino criado pela UEFA, em 2019, as duas seleções ibéricas defrontaram-se por 11 vezes em jogos particulares (Portugal venceu cinco e perdeu três) antes da final de ontem, a 20ª vitória da vizinha, que no total de 40 encontros, perdeu 12.

As anfitriãs esperavam imitar a seleção masculina, que bateu a Espanha a caminho para a conquista do Mundial 2021 e do Europeu de 2022, mas não foi bem sucedida na missão de erguer o primeiro troféu da história da modalidade de pavilhão mais praticada do País: Há mais de 4 mil atletas federadas.

Apesar disso, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol felicitou as vice-campeãs, destacando o talento e o trajeto. "Mereciam um título que teima em fugir-nos. Se a derrota, na final, decidida nos penáltis, nos deixa tristes, ela não altera em nada a crença no trabalho sustentado e consistente, que já tem muitos anos, e para o qual contribuiu muita gente. A todos os que constroem, dia a dia, a seleção nacional, endereço uma palavra de conforto e consideração", disse Fernando Gomes, prometendo continuar a apostar na "afirmação do desporto feminino numa sociedade em que a igualdade ainda tem caminho por fazer".

O título europeu é nesta altura o troféu mais importante do futsal feminino, que ainda não é modalidade Olímpica porque a FIFA ainda não criou um mundial - condição obrigatória para o Comité Olímpico Internacional a aceitar como modalidade convidada.

isaura.almeida@dn.pt