Agentes da PSP com ferimentos ligeiros em acidente nas buscas a Vieira

Os dois agentes sofreram um acidente quando se deslocavam de Braga para o Porto numa viatura policial e embateram num outro automóvel que circulava sem luzes.

Os dois polícias envolvidos num acidente rodoviário na noite de quarta-feira, em Braga, durante as diligências do caso que envolve o presidente do Benfica sofreram ferimentos ligeiros e não necessitaram de ser hospitalizados, indicou a PSP em comunicado

A Polícia de Segurança Pública explica que, às 22.30 de quarta-feira, dois agentes da PSP que se deslocavam de Braga para o Porto numa viatura policial foram intervenientes num acidente rodoviário.

Segundo a PSP, a viatura policial foi embatida por uma outra que circulava sem luzes, na estrada nacional 205, na zona de Vila Verde, distrito de Braga, que "foi de imediato intercetada e o acidente registado", tendo-se constatado que circulava também sem seguro de responsabilidade civil válido.

A PSP refere que os dois polícias, que tinham participado na operação coordenada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que decorreu na quarta-feira também em Braga, foram assistidos no Hospital de Braga, encontrando-se com ferimentos ligeiros, mas sem necessidade de internamento.

Esta quinta-feira, à entrada do tribunal criminal de Lisboa, o inspetor tributário Paulo disse que todas as diligências do caso que envolvem o presidente do Benfica foram concretizadas, mostrando-se satisfeito com o trabalho realizado, mas preocupado com dois elementos da investigação que sofreram um acidente rodoviário.

"O que estava planeado foi tudo concretizado, muitas das operações já foram realizadas depois da hora", disse Paulo Silva, sobre a operação "Cartão Vermelho", que envolve o presidente do Benfica, detido na quarta-feira numa investigação sobre suspeitas de burla, fraude fiscal, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais.

O inspetor acrescentou que muitas das operações aconteceram já "depois da hora": "O nosso trabalho foi feito ontem [quarta-feira], já muito dele depois da hora, algumas acabaram depois das duas da manhã. Ainda estamos a preparar as coisas para entregar ao Ministério Público."

À entrada do tribunal criminal de Lisboa, onde o banqueiro Ricardo Salgado está a ser julgado, Paulo Silva, que foi coordenador dessa investigação, explicou que as buscas previstas na operação Cartão Vermelho "estão todas realizadas", admitindo sentir-se "bastante satisfeito" com o trabalho realizado.

"Nas diligências de ontem [quarta-feira] da operação Cartão Vermelho foram realizadas 44 buscas concretizadas pelos elementos das Autoridade Tributária, Direção de Finanças de Braga, Porto, Aveiro e Lisboa, e da Unidade dos Grandes Contribuintes", explicou.

Na altura, o inspetor estava preocupado com o estado de saúde dos dois agentes da PSP envolvidos nas buscas que, após as diligências, sofreram um acidente de carro. "Alegadamente uma viatura estava a circular sem luzes, a alta velocidade, e barrou um dos nossos carros. Essa situação é que me preocupa. E espero que os agentes que estejam bem", revelou, explicando que os agentes foram transferidos para um Hospital em Braga, onde sabe-se agora estão livres de perigo, apresentando ferimentos ligeiros.

Ainda antes de entrar para a sessão de julgamento de Ricardo Salgado, o inspetor admitiu que possa ser o juiz Carlos Alexandre a realizar o interrogatório judicial aos quatro arguidos detidos que está previsto para esta quinta-feira.

O empresário e presidente do Benfica Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos na quarta-feira numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades.

Para esta investigação foram cumpridos 44 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

Sem os identificar, o DCIAP informou que foram detidos um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol.

Perigo de fuga e defesa da prova. Estas foram as justificações do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) para avançar com a operação que levou à detenção do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, do filho, Tiago, do empresário José António dos Santos e do agente desportivo Bruno Macedo (que esteve envolvido no negócio da ida de Jorge Jesus para o Flamengo e seu regresso ao Benfica).

Vieira passou a noite nas instalações da PJ de Moscavide e deverá ser hoje ouvido pelo juiz Carlos Alexandre, no âmbito de suspeitas de "negócios e financiamentos de valor total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades", explicou o DCIAP.

Nem o clube nem a SAD são alvo de investigação, tendo aliás ambos emitido comunicados em que vincam esse afastamento. "Nem a SAD nem o Sport Lisboa e Benfica (ou qualquer entidade por si controlada) foram constituídos arguidos no âmbito desta investigação, tendo sido prestada toda a colaboração solicitada pelas autoridades relevantes", comunicou o Benfica à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Mas isso não impediu que as ações fossem afetadas pelas suspeitas que recaem sobre o seu presidente: os títulos do Benfica caíram 5,52%, para 2,91 euros, na sequência das buscas e detenção de Luís Filipe Vieira.

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