Valentino Viegas: "Quando estou em Portugal sonho com Goa, mas em Goa morro de saudades de Lisboa"

O famoso Questionário de Proust respondido pelo historiador Valentino Viegas

A sua virtude preferida?
Flexibilidade. Se as pessoas forem flexíveis nos pensamentos e nas ações poderão encontrar melhores soluções para o bem-estar pessoal e coletivo.

A qualidade que mais aprecia num homem?
Persistência. Quem acredita fundamentadamente que os seus objetivos são alcançáveis ultrapassa todas as barreiras até atingir os seus propósitos, independentemente do número de fracassos que venha a acumular pelo caminho.

A qualidade que mais aprecia numa mulher?
Dedicação. Foi graças à dedicação sacrificada da minha mulher, em prol dos interesses da família, que pude prosseguir os estudos.

O que aprecia mais nos seus amigos?
A manifestação de júbilo quando os seus amigos triunfam na vida.

O seu principal defeito?
A lista dos meus defeitos é demasiado grande para poder escolher o principal.

A sua ocupação preferida?
Escrever quando me sinto inspirado.

Qual é a sua ideia de "felicidade perfeita"?
A felicidade perfeita não existe, porque a felicidade é um estádio passageiro da vida. Bem-aventurados são aqueles que a sentem numerosas vezes.

Um desgosto?
Tenho vários, os maiores são os irremediáveis: a morte física dos familiares e amigos.

O que é que gostaria de ser?
Gosto de ser o que sou. Recuso-me a viver frustrado a querer ser o que, ou quem, gostaria de ser ou jamais poderei ser.

Em que país gostaria de viver?
Vivo há 50 anos em Portugal. Nasci e cresci em Goa, onde desfrutei os primeiros 20 anos de vida. Vivi dois anos em Angola, sete em Moçambique e vários meses na Alemanha. Quando estou em Portugal sonho com Goa, mas quando me encontro em Goa morro de saudades de Lisboa.

A cor preferida?
Azul. Quando, isolados numa praia, olhamos para o azul dos oceanos e vemo-lo a abraçar e a beijar o azul do firmamento, temos a verdadeira noção da nossa insignificância e da grandeza do universo.

A flor de que gosta?
Rosa. É a flor que me oferece o amor, a beleza e a harmonia que gostaria que prevalecessem no mundo.

O pássaro que prefere?
A gralha-de-goa, pela inteligência e a rapidez como se agrupam para defender, com constantes investidas e uma barulheira infernal, as suas crias ou outras gralhas postas em perigo.

O autor preferido em prosa?
Fernão Lopes. A sua obra, em especial, a Crónica de D. João I, é o vibrante palpitar da alma portuguesa na Primeira Revolução Portuguesa. É ele que, se não cria, pelo menos difunde e dinamiza o sentimento de nacionalidade.

Poetas preferidos?
Fernando Pessoa e Luís Vaz de Camões. Os dois conjugam-se harmoniosamente para definir Portugal com arte, beleza e sabedoria.

O seu herói da ficção?
Tarzan. O meu Tarzan não é um personagem de ficção criado por Edgar Rice Burroughs nem o superatleta Johnny Weissmuller, mas alguém que nos ensina a viver em harmonia com a natureza e em comunhão com os animais.

Heroínas favoritas na ficção?
Não tenho heroínas favoritas na ficção.

Os heróis da vida real?
Todos os heróis anónimos que combatem direta e indiretamente o coronavírus e aqueles que, na retaguarda, mantêm o país a funcionar.

As heroínas históricas?
A minha falecida mãe, Maria Dias e Viegas, que é um exemplo de luta titânica e de vitória contra as adversidades. A lendária padeira de Aljubarrota, D. Brites de Almeida, que simboliza as mulheres portuguesas que, no processo revolucionário de 1383-1385, participaram nos levantamentos populares, ajudaram na conquista dos castelos e combateram em defesa da independência nacional.

Os pintores preferidos?
Nuno Gonçalves e Pablo Picasso.

Compositores preferidos?
Maurice Ravel e Ludwig Van Beethoven.

Os seus nomes preferidos?
Ana Inês, Magno, Elizabeth, Nureni, Noah e Guilherme, nomes da minha mulher, filho, filha e netos.

O que detesta acima de tudo?
A teimosia pela teimosia.

A personagem histórica que mais despreza?
Hitler, pelo mal que fez e pelas raízes que deixou.

O feito militar que mais admira?
O dia D (6 de junho de 1944). O desembarque da Normandia que ditou o início do fim do nazismo.

O dom da natureza que gostaria de ter?
Gostaria de saber ouvir a voz da natureza.

Como gostaria de morrer?
Sei que quem nasce morre mas, por enquanto, tenho muito mais em que pensar do que perder o meu precioso tempo a imaginar como gostaria de morrer.

Estado de espírito atual?
Estou ótimo.

Os erros que lhe inspiram maior indulgência?
Os cometidos irrefletidamente.

A sua divisa?
Procurar soluções.

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