Telejornal. Há 60 anos a dar notícias aos portugueses

O Telejornal fez a sua estreia faz esta sexta-feira 60 anos exatos. E o primeiro pivô era um jornalista do Diário de Notícias.

A emissão desta sexta-feira do Telejornal é festa: o formato noticioso cumpre 60 anos com uma emissão especial entre as 20:00 e as 22:00, conduzida por José Rodrigues dos Santos e João Adelino Faria. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa é um dos convidados.

O Telejornal é, segundo a estação pública, a principal marca da empresa depois da própria RTP. Nasceu a 18 de ​​​outubro de 1959. Esta é a sua história:

- Quase três anos depois da primeira emissão experimental, em setembro de 1956, e do início das emissões regulares a 7 de março de 1957, começava o Telejornal. Foi a 18 de outubro de 1959 e os apresentadores foram Mário Pires, do Diário de Notícias, e Alberto Lopes, de O Século. Era uma novidade. Pela primeira vez, o espaço noticioso era conduzido por dois jornalistas profissionais.

- O primeiro de todos os Telejornal, ainda a preto e branco, tinha duas edições diárias: uma de meia hora e outra de 10 minutos no final da emissão, por volta das 23:30.

- O nome do Telejornal, que se mantém e nunca mudou ao longo de 60 anos, foi inspirado no Telegiornale da televisão italiana, como lembrou ao DN Vasco Hogan Teves, chefe de redação da RTP em 1957, por ocasião dos 50 anos da emissão.

- Porém, a novidade de ter dois jornalistas na condução do espaço informativo não foi bem acolhida. Pouco tempo depois, eram substituídos por locutores do quadro da RTP como Fernando Balsinha (1948-2003) e José Fialho Gouveia (1935-2004), que, em última hora, deram a conhecer as movimentações dos militares no 25 de abril e a rendição do governo de Marcelo Caetano que entregou o comando ao Movimento das Forças Armadas. "A partir deste momento, o Movimento das Forças Armadas controla totalmente a rede emissora da Rádio Televisão Portuguesa", informou Balsinha.

- Nesse dia conduziram a emissão especial do Telejornal. Fialho Gouveia fez os alertas: "Médicos e pessoal de enfermagem, embora não haja motivos para alarmes e o Movimento das Forças Armadas procure evitar a todo o custo derramamento de sangue, solicita-se a vossa comparência nos hospitais e outros locais próprios para assistência médica. (...). O Movimento das Forças Armadas (...) solicita de todo o povo a maior tranquilidade e pede-lhe que se mantenha em casa. Aos comerciantes solicita-se que encerrem os seus estabelecimentos. A Rádio Televisão Portuguesa está com o Movimento das Forças Armadas e manter-se-á no ar informando os telespectadores do desenrolar da situação".

- Foi pela RTP que os portugueses viram o homem chegar à Lua, embora, segundo uma reportagem da RTP do jornalista Jacinto Godinho, pouco tenha mudado no alinhamento nesse 21 de julho de 1969. "O jornal abria sempre pelas notícias pessoas que eram recebidas pelo Presidente da República", conta Jaime Nogueira Pinto, historiador e jornalista da RTP nessa altura. "Se um dia começar a III Guerra Mundial, por onde é que começo? Porque aquilo parecia a agenda de um quartel". Assim, a notícia de que Neil Armstrong tinha sido o primeiro homem a pisar a Lua naquela madrugada foi antecedida por outra: Américo Tomás a inaugurar uma fábrica de cimento em Pataias (Alcobaça).

- Única televisão que os portugueses tinham disponível até 1992, a RTP acompanhou as eleições Presidenciais de 1986, numa época em que os diretos não eram uma constante. No arquivo da RTP é possível rever a entrega no Tribunal Constitucional de 15 mil assinaturas que assim formalizavam a candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da República.

- Na história de 60 anos, existem também momentos caricatos como o dia em que, perante a insistência de Manuela Moura Guedes para saber qual era o seu salário pergunta à pivô quanto é que ela ganha. Não chegou a responder ao contrário da pivô, que disse auferir cerca de 300 contos.

- Com a entrada em cena das televisões privadas, o Telejornal moderniza-se. O estúdio estático em fundo é substituído por outro com televisores em fundo. Ganham também uma nova régie.

- Mas, hoje, nas estações privadas, pivôs dos principais espaços noticiosos passaram em algum momento pela RTP: Rodrigo Guedes de Carvalho e Clara de Sousa, na SIC, e José Alberto Carvalho e Judite Sousa, na TVI.

- A mudança para nova sede, em 2004, corresponde à última, e mais profunda, mudança de aspeto do Telejornal, agora num estúdio muito maior.

- A lista de pivôs que passaram pelo Telejornal é longa e, eventualmente, incompleta. Se alguns têm uma breve carreira na RTP, outros estão no lugar há 28 anos como José Rodrigues dos Santos. Por vezes, com polémica, como aconteceu quando moderava o comentário de José Sócrates, a 7 abril de 2014. Nesse dia, o espaço de comentário terminou com um "registo o seu insulto ao qual não vou responder, de resto".

- José Rodrigues dos Santos é também um rosto associado à Guerra do Golfo em 1991. O jornalista esteve no ar horas e horas naqueles dias, depois de ter dado a notícia em última hora a 16 de janeiro de 1991. "A cadeia norte-americana ABC noticiou um raide aéreo norte-americano sobre Bagdad". A notícia, no entanto, não passou no Telejornal, mas no 24 horas.

- Pela apresentação do Telejornal passaram: Adriano António Parreira, Adriano Cerqueira, Amadeu de Freitas, Ana Paula Cabral, Ana Zanatti, António Santos, Artur Albarran, Cândido de Sousa, Carlos Blanco, Carlos Cruz, Carlos Daniel, Carlos Fino, Carlos Franco, Cesário Borga, Cristina Esteves, Diana Andringa, Dina Aguiar, Fátima Campos Ferreira, Fátima Torres, Fernanda Bizarro, Fernando Balsinha, Francisco Sarsfield Cabral, Henrique Garcia, Henrique Mendes, João Gonçalves, João Soares Ferreira, Jorge Nuno Oliveira, José Alberto Carvalho, José Alberto Sousa, José Côrte-Real, José Cruz, José Eduardo Moniz, José Fialho Gouveia, José Gomes Ferreira, José Mensurado, Judite Sousa, Lopes Araújo, Luís Pinto Enes, Manuel Caetano, Manuel Freire, Manuel Menezes, Manuela de Melo, Manuela Moura Guedes, Maria Elisa Domingues, Maria Fernanda, Mário Crespo, Mário Moura, Mário Rui de Castro, Miguel Prates, Miguel Sousa Tavares, Nuno Coutinho, Nuno Santos, Paula Magalhães, Paulo Cardoso, Paulo Catarro, Pedro Mariano, Pedro Luís de Castro, Pedro Varanda, Raul Durão, Ribeiro Cristóvão, Rodrigo Guedes de Carvalho, Teresa Cruz, Vasco Trigo.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.