Super Bock em Stock, um festival (quase) como antigamente 

A música volta à Avenida da Liberdade e entre hoje e amanhã multiplica-se por dez salas, com concertos de gente tão diversa como os britânicos Django Django, os dinamarqueses Iceage ou os portugueses Sam the Kid & Mundo Segundo.

Passados dois anos desde a última edição do Super Bock em Stock, Luís Montez ainda tem dificuldade em acreditar que o grande festival de música de inverno da capital se vai mesmo realizar como antigamente. Ou seja "sem cadeiras, sem distanciamento obrigatório e com a lotação normal", sublinha o responsável pela Música no Coração, a empresa que organiza o festival. Em contrapartida, no momento da troca do bilhete pela pulseira de acesso aos diversos recintos, todos terão de apresentar o certificado de vacinação ou um teste negativo, bem como usar máscara durante os concertos. "É um pequeno preço a pagar, mas vale bem a pena, para voltarmos a poder ouvir música ao vivo sem restrições. Já foram feitas outras experiências do género noutros eventos, como na Websummit, por exemplo, que correram bem, não há qualquer razão para a música continuar a ser excluída", defende o promotor.

O festival decorrerá assim exatamente como dantes, com os concertos a desdobrarem-se, em simultâneo, em 10 espaços à volta da Avenida da Liberdade: Cinema São Jorge (sala Manoel de Oliveira e sala 2), Teatro Tivoli, Capitólio, Maxime, Estação do Rossio, Garagem EPAL, Casa do Alentejo, Palácio da Independência e Coliseu dos Recreios. Igualmente de regresso estão músicos internacionais como os britânicos Django Django, os dinamarqueses Iceage ou a também inglesa Lava la Rue, que ombreiam com os portugueses Sam The Kid & Mundo Segundo, David & Miguel ou The Legendary Tigerman no estatuto de cabeças-de-cartaz. Como é habitual, o difícil vai ser mesmo escolher, com tantos concertos a decorrerem a simultâneo. "A pandemia penalizou toda a gente, mas especialmente os artistas emergentes e portanto também esta aposta reforçada neles, tal como é tradição deste festival, que sempre se preocupou em dar a descobrir novos artistas", lembra Luís Montez, aconselhando cada um a fazer o seu próprio roteiro, de modo a ver "um bocadinho de tudo e em particular as novidades".

É o caso dos Atalaia Airlines, convidados para atuar na curadoria da Cuca Monga, a editora criada pelos Capitão Fausto, no palco do Palácio da Independência, onde pela primeira vez vão atuar ao vivo. "Dá sempre algum nervosismo, mas sabemos que estamos preparados e vai ser uma oportunidade incrível para nos apresentarmos a mais pessoas. Este festival sempre foi uma montra para as bandas que estão a surgir e é incrível fazer parte disto logo no nosso primeiro concerto", confessa ao DN Pedro Pucinni, um dos membros da banda. O concerto servirá também como "festa de apresentação" do primeiro disco homónimo, prestes a ser editado. "Foi um álbum feito à distância, num tempo estranho, e queremos reproduzi-lo o melhor possível, com a presença de alguns convidados, como o Iguana Garcia ou o Mike el Nite", revela o músico, que também vai ser público nalguns concertos, como os de David & Miguel, Bejaflor, Filipe Karlsson ou Tomás Wallenstein. O músico e vocalista dos Capitão Fausto vai apresentar-se a solo, ao piano, no Tivoli, com um espetáculo de versões, composto por algumas das músicas cantadas em português que mais gosta. "Foi um projeto iniciado durante a pandemia. Tenho um piano em casa e comecei a tocar, a fazer versões de alguns dos meus temas preferidos, para insistir na teoria que devemos tocar e cantar mais as músicas uns dos outros, como se faz no Brasil, onde isso é muito comum", explica. Inicialmente, o plano passava por fazer um único espetáculo, mas depois de uma mini-digressão por quatro cidades em outubro, chega agora também," num formato mais adaptado", ao Super Bock em Stock, naquele que será "um momento muito especial para todos", como o considera Tomás Wallenstein. "Vivemos muito intensamente a experiência dos festivais, não só por ser aí que concretizamos a nossa existência enquanto artistas, mas especialmente pela celebração de se estar num sítio, a ouvir música ao vivo, lado a lado com uma multidão de desconhecidos. Não sabemos ainda o que vai acontecer num futuro próximo, mas este vai ser bem aproveitado, isso posso garantir".

Promessa parecida fazem os Bateu Matou, o trio composto pelos bateristas Ivo Costa (Batida, Sara Tavares), Quim Albergaria (Paus) e Riot (Buraka Som Sistema), que em maio lançaram o disco de estreia Chegou, um registo pensado para as pistas de dança, agora finalmente apresentado como deve ser. "É uma honra poder estar neste festival a servir o propósito deste disco, que é o baile e foi lançado num momento tão contrário a esse conceito", afirma Ivo Costa. E sendo "uma ocasião tão importante", vão "tentar replicar em palco o rodízio de convidados que participou no álbum", chamando ao palco gente como Pité (MGDRV), Héber Marques (HMB) e Favela Lacroix. "Estamos com um horário favorável porque há pouca coisa a acontecer quando atuamos e assim também temos tempo para ir ver alguns concertos e descobrir coisas novas", admite.

dnot@dn.pt

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