"Shining" faz 40 anos: o medo segundo Kubrick

Foi a 23 de maio de 1980, faz hoje 40 anos, que o filme "hining"surgiu nas salas escuras: muito para lá das regras correntes do género de terror, continua a ser um dos títulos mais populares da filmografia de Stanley Kubrick.

Foi no dia 23 de maio de 1980 que se estreou aquele que continua a ser um dos títulos mais populares da filmografia de Stanley Kubrick. Ou seja: Shining chegou às salas americanas há exatamente 40 anos, gerando toda uma aura de filme de terror que, em boa verdade, transcendia as regras correntes e os efeitos mais convencionais desse género.

Terá sido um desvio algo bizarro na trajetória de Kubrick, ele que assinara antes Barry Lyndon (1975), uma evocação dramática e melodramática do século XVIII inglês capaz, afinal, de desafiar as regras de outro modelo consagrado, o do "filme histórico". O certo é que ele foi sempre um criador de muitos contrastes, nunca ficando preso a uma temática ou a um género.

Narrando a história de um casal, os Torrance, que vai tomar conta de um hotel nas montanhas durante o período de inverno em que está encerrado ao público, Shining, parábola radical sobre o medo, consegue ser uma história de duplo assombramento: por um lado, uma crónica de um lugar que evoca a violência da história, em particular os massacres de índios americanos; por outro lado, uma metódica desmontagem das relações internas de uma família, e tanto mais quanto o filho do casal desempenha um papel decisivo nessa aventura em que todos os fantasmas parecem poder materializar-se.

Na personagem do pai e marido, a composição de Jack Nicholson criou a sua própria mitologia, de tal modo o actor se revela capaz de colocar em cena os labirintos mais enigmáticos e inquietantes do comportamento humano. Mas mporta não esquecer Shelley Duvall, no papel de sua mulher, e Danny Lloyd (com seis anos, na altura da rodagem), pequeno grande talento na representação dos medos, e também da coragem, da infância.

Confirmando a sua absoluta versatilidade, e também a "lentidão" do seu trabalho, Kubrick só regressaria à realização sete anos mais tarde, portanto em 1987. Foi com Nascido para Matar, filme que expunha fantasmas bem diferentes - os da guerra do Vietname.

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