Rapper Allen Halloween abandona a carreira para se dedicar à religião

Poucos dias depois de ter lançado um novo álbum, o rapper e produtor musical português põe um ponto final no seu percurso musical.

Considerado um dos grandes nomes da nova música urbana portuguesa, Allen Halloween anunciou o fim da carreira. Num post publicado no Facebook, o rapperdiz querer dedicar-se totalmente à religião. Autor de Projecto Mary Witch (editado em 2006), A Árvore Kriminal (2011) ouHíbrido (2015), o músico lançou há poucos dias um novo trabalho, intitulado Unplugueto e lançou também Livre-Arbítrio, um livro que reúne todas as suas letras.

"Durante anos, tentei fazer música e servir a Jeová ao mesmo tempo mas isso...isso sempre foi uma tarefa impossível para mim. Eu amo demais! Não consigo fazer nada por metade", escreveu o rapper na mensagem de despedida, revelando a sua escolha: "Nenhum escravo pode servir a dois senhores ao mesmo tempo; ele acabará sempre por apegar-se mais a um e desprezar o outro. Eu tenho vindo a desprezar o meu Pai [há] muito tempo e não o farei mais. Anuncio aqui, o fim da carreira de Allen Halloween".

Allen Pires Sanhá de nome original, o músico diz ter pensado muito nesta decisão, ao longo de anos, acrescentando que encontrou agora a "coragem e fé" para dar este passo. "Peço a todos que respeitem a minha decisão e que quando me virem por aí, não me chateiem mais com coisas do Halloween. O Halloween morreu. Acabou!", escreve o rapper, dizendo querer tornar-se "um homem simples e humilde, com um emprego humilde".

Criado no bairro do Barruncho, em Odivelas, Allen Halloween, de 39 anos, transportou a sua vivência para a música, com letras cruas e diretas e um estilo que misturou hip-hop com influências do rock mais pesado. Em 2017, a propósito da participação no festival Vodafone Mexefest (uma participação rara em grandes festivais de um músico que sempre manteve a independência), Allen Halloween afirmava: "A minha música é inspirada no mundo real. Olho para tudo o que me rodeia e tento transformar em música e arte".

"A maior parte das temáticas do rap feito em Portugal é a cultura hip-hop, quase como se um músico de rock fizesse canções a falar de guitarras elétricas e amplificadores. Também faço rap, mas desde o princípio que optei por falar da vida real e chego a muito mais pessoas assim", dizia então.

Na mensagem que deixou no Facebook, o rapper agradece àqueles que o acompanharam ao longo destes anos: "Agradeço a todos aqueles que sempre me apoiaram, desde do primeiro dia. Aqueles que faziam centenas e centenas de quilómetros para me ver, para me ouvir. Foi forte! Foi puro! Fui lindo! Sem esquemas, sem truques! E que ninguém fique triste porque eu estou feliz".

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