Quando Dior parece ter copiado, o original romeno respondeu

Artesãos romenos unem-se para defender o seu vestuário tradicional

O colete bordado e muito colorido foi uma das peças que a Dior lançou na coleção de outono de 2017. Saltaram à vista de especialistas, e dos que não o são, as semelhanças entre a proposta da casa dirigida pela designer italiana Maria Grazia Chiuri e aquelas que são feitas à mão por artesãs romenas em Bihor, na região da Transilvânia, onde a Roménia faz fronteira com a Hungria.

Bihor, não Dior tornou-se então movimento e hashtag (#GiveCredit Bihor not Dior), mas sobreviveu à condição de 'polémica do dia' no Facebook. Um ano, dois filmes do YouTube e um site depois, há uma marca que pretende mostrar o folclore romeno em primeira mão, protegendo a produção local. Chama-se Bihor Couture. E qualquer semelhança com Dior Couture não é pura coincidência.

À procura de retorno

Eis como a Beau Monde, uma revista que se diz de conteúdo 100% romeno (exceto pelo título), vê o caso: "Se faz sentido a inspiração acontecer, achamos um pouco injusto que não haja retorno financeiro ou mesmo de publicidade para uma comunidade que luta para manter as tradições vivas. Por causa disso, estas tradições estão a morrer. "Portanto, na Roménia estamos a dar os primeiros passos", dizem numa nota no site da Bihor Couture.

Foi assim que nasceu esta marca que pretende apoiar o autêntico design romeno, com criações vendidas online, cujo lucro volta a estas comunidades. Todas elas apresentam os típicos bordados coloridos, "muito mais vivos do que os de Dior", como diz uma das artesãs num filme criado para apresentar o projeto. São usados em camisas, xailes, golas e outros modelos, com preços que vão dos 5 euros de uma pregadeira aos 500 de um casaco tradicional. Valores muito longe dos 30 mil da etiqueta do casaco Dior.

No primeiro de dois episódios que falam sobre a história deste bordado, vamos até Bihor, a localidade onde nasceu o colete que inspirou a Dior. Dizem que custava 30 mil euros, mas que aqueles que o inspiraram permanecem desconhecidos. São esses artesãos os protagonistas. "A Dior quase acertou", diz um deles. "Mesmo assim não o fizeram tão bonito como nós", acrescenta uma mulher de meia-idade, lenço na cabeça e iPad na mão. "As nossas cores são mais vívidas", defende.

Entre o sério e o humorístico, o que estas artesãs acham que ficam mesmo mal é acompanhar o colete com saltos altos. "É com rasos, rasos", refere outra artesã. "E com camisa e avental e lenço..."

Saltamos para o segundo episódio, dedicado às expansão da marca para lá das montanhas da Transilvânia. "Acredito que pertence na cena internacional", diz uma mulher envolvida no projeto.

São três as designers na ficha técnica do site: Dorina Hanza, que tem dedicado toda a sua vida a esta arte já usada pela sua avó e bisavó; Gladi Dogaru, uma artista popular que combina tradições e inovação; e Ana Popa, que aprendeu com a mãe a bordar colares e lenços tradicionais.

Dior reincidente

Não é a primeira vez que a Dior é acusada de copiar a ideia ou padrão usado por outra marca, como escreveu o Quartz, em janeiro deste ano. A indiana People Tree acusou a marca de luxo de copiar o estampado de yoga da sua autoria - um desenho feito à mão e esculpido artesanalmente num bloco de madeira.

A versão indiana:

O estampado do vestido Dior:

O caso também chamou a atenção dos especialistas de moda, mas, para já, a reação da empresa indiana foi considerar processar a empresa francesa.

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