Portuguesa finalista de prémios de arquitetura na Irlanda 

Dois projetos de extensões residenciais criadas pelo ateliê da portuguesa Isabel Barros são finalistas este ano dos Prémios de Construção e Arquitetura na Irlanda, trabalhos dos quais chegou a pensar desistir.

"Na altura da recessão, tudo o que fazíamos eram extensões. Cheguei a dizer que, quando acabasse a recessão, não queria ver mais extensões à minha frente. Mas, no fundo, acabei por chegar à conclusão de que tiro uma grande satisfação deste tipo de projetos", confiou a arquiteta à agência Lusa.

Seaview House e Shaolin Cottage são os dois projetos de Isabel Barros finalistas da categoria de Renovação de Extensão Residencial da edição de 2021 dos Prémios, promovidos por empresas do setor da construção para reconhecer a qualidade de trabalhos na área da construção e arquitetura.

Na 'Seaview House', um típico chalé dos anos 1970 junto ao mar da costa sul da Irlanda, na região de Wexford, o proprietário pediu uma modernização da casa herdada da família, mas Barros propôs algo para além da expansão do edifício.

"Os proprietários desconheciam que era possível ter vistas do mar, apesar de estarem a 700 metros da costa. O jardim estava muito fechado e nunca tinham pensado expandir para cima. Ao desenhar a casa, mostrei que, se tivesse um piso em cima, se poderia ver o mar", explicou.

Na 'Shaolin Cottage', uma casa de campo construída em pedra na mesma região, Isabel Barros foi desafiada pelos proprietários a fazer uma ampliação influenciada pelos princípios do Feng Shui, em que o novo e o antigo encontrassem equilíbrio e harmonia.

"Fizemos uma grande abordagem Yin e Yang na ligação dos elementos, as próprias formas curvilíneas da extensão em oposição à construção original retangular, os opostos a unirem-se. Há muita filosofia por trás deste projeto", explicou.

Mesmo numa escala pequena, este tipo de extensões residenciais pode arrastar-se durante vários anos, dependendo das capacidades financeiras dos clientes, normas em termos de planeamento, conservação de edifícios históricos e disponibilidade dos construtores.

"São projetos complexos, mais complexos do que fazer um hotel. Estamos a lidar com uma série de restrições, à partida com uma pré-existência que queremos respeitar, por uma questão de sustentabilidade, mas que noutras vezes não faz sentido", disse a arquiteta.

Mas é o desafio de ser criativo e o impacto a nível da transformação e valorização das construções existentes que torna as extensões residenciais mais gratificantes do que projetos de construção de raiz.

No entanto, também tirou duas lições da sua experiência, que é recusar clientes "que não estão a ser realistas no orçamento" e, "sobretudo, quando apresentam um estilo imposto".

Natural de Angola, Isabel Barros viveu desde a infância na área de Lisboa, onde se formou antes de se mudar para a Irlanda em 2002 para trabalhar numa empresa com projetos em Portugal.

Há dez anos, fundou o próprio ateliê e tem trabalhado desde então em grandes loteamentos residenciais até projetos industriais, de escritórios ou hotéis.

Na Irlanda, desenvolveu o interesse pela conservação de edifícios e faz parte da Sociedade de Conservação Georgiana, que promove a proteção do património histórico irlandês.

"O que me fez ficar na Irlanda foi a qualidade de vida, sem viagens longas entre casa e trabalho, a paisagem verde em redor, e a nível de trabalho encontrei sempre grande um reconhecimento do que eu fiz e isso satisfaz-me", afirmou à Lusa.

Os vencedores dos Prémios vão ser anunciados em 20 de maio.

A presença com dois projetos entre os seis finalistas da categoria, referiu, "é um culminar do trabalho nos últimos anos" e um impulso para o futuro, pois já atraiu mais clientes para uma lista de espera que se estende até, pelo menos, 2022.

"Só a nomeação, mesmo se não vencermos, é uma vitória e uma porta que se abre. Dá-nos visibilidade e a possibilidade de podermos escolher os trabalhos que nos interessa mais fazer", enfatizou.

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