Oito dias e 11 cidades para encontrar soluções para os artistas em tempo de pandemia

Fazendo um balanço "muito positivo" da primeira edição, Ana Miranda, diretora do Arte Institute, garante que este ano o objetivo principal nas 11 cidades por onde a iniciativa que visa promover novos modelos de negócios para as Artes e Cultura vai passar é dar à classe artística "novas ferramentas para enfrentar a nova realidade".

As conversas, workshops, showcases e espetáculos estão de volta, mas a segunda edição do RHI - Revolution, Hope, Imagination tem ainda mais a oferecer aos artistas, sobretudo nestes tempos de pandemia. "O RHI continua com o objetivo da promoção internacional dos artistas portugueses. No entanto, face às condições atuais mundiais e nacionais no panorama da cultura, este ano daremos mais destaque ao segundo objetivo da iniciativa, o de intensificar uma relação de network entre as cidades participantes", explica Ana Miranda, a diretora do Arte Institute que já a partir desta sexta-feira e até dia 25 regressa com uma iniciativa que visa promover novos modelos de negócio para as Artes e Cultura.

"Pretende-se promover um maior conhecimento dos artistas nacionais por todo o território, intercâmbio de projetos artísticos entre cidades e construção de uma nova metodologia de trabalho entre agentes da cultura, empresas locais e turismo", diz Ana Miranda. Organizada pelo Arte Institute de Nova Iorque, fundado por Ana Miranda em 2011, a iniciativa envolve 11 cidades: Évora, Loulé, Braga, Alcobaça, Leiria, Torres Vedras, Lisboa, Porto, Funchal, Vidigueira e Faro. "Devido à pandemia, nesta primeira fase da iniciativa o evento contará com profissionais das artes nacionais e webinars e workshops com convidados estrangeiros. A iniciativa continuará ao longo do ano, com mais oportunidades a nível internacional, contando com a presença de palestrantes e programadores internacionais", explica.

E com a classe artística a ser particularmente afetada pela pandemia que parou concertos e espetáculos, o RHI vai procurar discutir os desafios que vêm aí e encontrar soluções. No fundo: "dar soluções práticas e recursos aos artistas para os capacitar de novas ferramentas para se puderem adaptar à nova realidade e aos mesmo tempo continuamos a criar-lhe novas oportunidades de trabalho e parcerias", explica Ana Miranda.

Com as oportunidades de trabalho a escassear, o interesse dos artistas por iniciativas como esta tem aumentado. Ana Miranda vê duas explicações para tal: "Primeiro, a situação atual e a falta de respostas por parte de quem de direito segundo, o facto de esta ser já a segunda edição do evento e as pessoas terem acompanhado o nosso trabalho no RHI em setembro 2019, nos meses até à pandemia e depois durante a pandemia no RHI Stage em que em dois meses e meio apresentámos diariamente espetáculos de artistas de todas as áreas em que o seu trabalho podia ser pago pelo público através da app RHI Think, valorizando assim esse seu trabalho".

A pensar nestes novos tempos, o RHI vai ter algumas ofertas diferentes. Como é o caso de alguns workshops específicos, como os que se vão centrar no bom uso das redes sociais, tão essenciais em tempos de pandemia quando se tornaram numa "linha direta entre os artistas e o seu público, os seus fãs", explica Ana Miranda. E dá o exemplo do "Marketing digital em que o André Tentugal é o formador de uma Masterclass de Marketing Digital e vídeo low- budget".

Quanto ao balanço da primeira iniciativa, foi "muito positivo", com muitos dos profissionais das artes envolvidos a serem "convidados para apresentarem o seu trabalho internacionalmente em venues como o SummerStage Central Park, Rhythm Foundation, Drom, Biblioteca Publica de New Bedford, Centro Cultural Português em São Tomé, entre outros". E se a maior parte dos shows tiveram de ser remarcados para o próximo ano, "o Moullinex conseguimos que fosse apresentado nas sessões online do Summerstage do Central Park no em julho passado", explica Ana Miranda.

Para o futuro, a ex-atriz - fez teatro e novelas, como Ana e os Sete na TVI antes de se mudar para Nova Iorque em 2006 - garante que "continuaremos a lutar pela mudança de mentalidades e de um novo posicionamento para a classe artística, mais capacitada em termos de ferramentas para se entender que a cultura também é uma área de negócio da sociedade - o show business. Continuaremos a criar oportunidades para uma maior mobilidade de artistas e projetos tanto dentro do país como internacionalmente". Quanto ao público e à sociedade civil, "tentaremos que haja cada vez mais um conhecimento da nossa área de trabalho para que se possa compreender que a cultura tem muito mais importância e valor do que apenas ser identidade de um povo ou entretenimento, e com isso que cada vez mais seja valorizado o trabalho dos profissionais das artes."

Veja AQUI toda a programação do evento.

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