"O luxo d'A Casa de Papel é dar-te mais janelas de oportunidade para trabalhar"

Esther Acebo e Itziar Ituño, atrizes da série A Casa de Papel, que se tornou um fenómeno internacional, foram as estrelas dos primeiros dias da Comic Con (que decorre até domingo, 15 de setembro). No Passeio Marítimo de Algés as solicitações de fãs e da comunicação social foram mais que muitas. No meio da azáfama, sentamo-nos frente a frente para falar sobre as suas carreiras, Portugal e sobre dinheiro.

Como têm sido estes dias em Portugal?
Esther Acebo (EA): Estamos maravilhadas como as pessoas e como nos conhecem. Sim, estamos no nosso país vizinho, mas é incrível como nos felicitam e desejam sorte. Está a ser uma experiência muito boa. E foram apenas dois dias...eu quero ficar uma semana!

Itziar Ituño (II): Recordo-me de uns quantos abraços que recebi e fiquei com pele de galinha. Quando as pessoas felicitam-te com todo o amor do seu coração é uma coisa incrível. Por isso gosto de as olhar nos olhos quando lhes dou autógrafos, serve para agradecer terem vindo conhecer-nos. Tem sido muito, muito bonito.

No episódio em que o fado português aparece estou a despertar de um estado inconsciente, quando comcei a ouvir o fado desatei a chorar.

Na primeira temporada de A Casa de Papel temos um fado a abrir o quinto episódio, no início da terceira temporada o grupo está em Portugal e a bandeira portuguesa aparece...há muitas referências a Portugal, é de propósito?
II: Para além de me chamar Lisboa quando me juntei ao grupo na terceira temporada! Não sei porque decidiram essa ligação, penso que é um piscar de olhos aos portugueses. Há muitos seguidores em Portugal. E porque não agradecer às pessoas que nos seguem dessa forma?

EA: Sim é uma forma de agradecimento, mas também sei que um dos guionistas está apaixonado por uma zona de Portugal, Vila Nova de Milfontes. Sei porque eu também estou e falamos disso. E adoramos os fãs portugueses. É muito bonito tudo o que estão a fazer. A eleição da música na série é feita por um motivo emocional e o fado tem algo...eu não sei falar português mas quando oiço o fado mexe comigo. No episódio em que o fado aparece estou a despertar de um estado inconsciente, e quando comecei a ouvir o fado desatei a chorar. Foi muito bonito que o tenham escolhido.

II: Foi o diretor desse episódio que o escolheu. No início acharam estranha a escolha, mas depois de terem visto a montagem e como ficou, o fado entra por nós adentro.

O que mudou nas vossas carreiras depois do boom de A Casa de Papel?
EA: Quase todos os atores vinham de trabalhar em projetos mais pequenos e agora, de repente, o nosso trabalho pode ser visto em tudo o mundo. É uma janela aberta. E bom sabermos que agora podem chegar-nos guiões de todo o lado do mundo, não só de Espanha mas da América Latina, dos Estados Unidos e de diferentes partes da Europa. Espero que cheguem opções e que nos abram portas para trabalhar pelo mundo.

II: O luxo que te dá a exposição internacional de A Casa de Papel, e que já não é apenas uma série mas um fenómeno social, é termos mais janelas de oportunidade para trabalhar. E o grande luxo de, como atrizes e atores, poder escolher o trabalho em queremos participar. E isso nem todos os atores o podem fazer. Passei anos a dizer que sim a tudo o que chegava, porque precisava de trabalhar e de pagar as contas no final do mês, agora posso escolher e dizer que não a umas coisas e sim a outras. É um luxo.

A série mudou a vossa relação com o dinheiro?
EA: Não. Realmente o que tenho em comum com a minha personagem na série é que o dinheiro está presente mas não é o motivo principal das nossas vidas. Na série há um motivo emocional muito importante, o dinheiro é um mero condutor da história. Não há nada mais pobre do que quem só tem dinheiro.

II: Na realidade o dinheiro é apenas papel. É um acordo social que decide que este ou aquele papelinho tem um determinado valor. Numa das cenas na qual a personagem do Professor rasga uma nota diz isso mesmo.
Agora mesmo na Europa os bancos estão a produz dinheiro sem parar porque estamos num momento em que a crise pode regressar e o dinheiro não é mais que papel. Se todos decidíssemos que aquele papel não vale tanto e que, por exemplo, o tempo é muito mais valioso mudava um pouco o paradigma das coisas. A série segue um pouco por aí, faz uma certa critica para pensarmos porque razão temos de aceitar esse padrão que nos impuseram, e que é bastante injusto na maioria do mundo. E eu estou com eles. Somos a resistência (risos).

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