Neozelandesas condenadas por concerto cancelado de Lorde em Israel

Adolescentes israelitas sentiram-se prejudicados no seu "bem-estar artístico" e queixaram-se em tribunal de ativistas que apelaram a boicote cultural

Depois do cancelamento de um concerto da cantora Lorde em Telavive, três adolescentes israelitas sentiram-se prejudicados no seu "bem-estar artístico" e dizem ter sofrido "danos no seu bom nome como israelitas e judeus". Por isso, processaram duas mulheres da Nova Zelândia, uma de origem israelita, outra palestiniana, que tinham feito campanha para que Lorde cancelasse o espetáculo.

Justine Sachs e Nadia Abu-Shanab foram condenadas a pagar uma indemnização de 10,1 mil euros (18 mil dólares neozelandeses) aos adolescentes Shoshana Steinbach, Ayelet Wertzel e Ahuva Frogel, por um tribunal de Israel, segundo conta o jornal britânico The Guardian. Mas as duas jovens não têm vontade nenhuma de pagar a indemnização aos adolescentes, como ordenou o tribunal.

Nas horas a seguir à condenação, Justine e Nadia foram inundadas de ofertas de ajuda para pagar a multa. No entanto, as duas mulheres preferiram lançar uma campanha de crowdfunding para angariar fundos para a Fundação de Saúde Mental de Gaza, na Palestina, e em apenas três dias já conseguiram dinheiro de mais de 400 doadores.

"Nós não vamos pagar o valor ordenado pelo tribunal", confirmaram Justine Sachs e Nadia Abu-Shanab, em comunicado. "Em vez disso, gostaríamos de dirigir o apoio oferecido para os palestinianos que precisam de apoio de saúde mental."

Em dezembro de 2017, a cantora neozelandesa Lorde decidiu cancelar o concerto que tinha agendado para 5 de junho deste ano. Na declaração que então fez, citada pela Rolling Stone, Lorde não mencionava o movimento de boicote aos espetáculos em Israel. Limitava-se a dizer que tinha recebido "um grande número de mensagens e cartas" e que tinha tido "muitas discussões com pessoas com muitos pontos de vista", antes de tomar "a decisão certa", que "neste momento é cancelar o concerto".

Justine Sachs e Nadia Abu-Shanab estiveram entre os promotores do boicote, tendo escrito a Lorde para que esta cancelasse o espetáculo e acabaram responsabilizadas pelo tribunal. Mas também foram aconselhadas por especialistas legais de que há poucas possibilidades de Israel obrigá-las a pagar, porque não se encontravam em Israel quando escreveram a carta aberta e não participaram de forma alguma no processo judicial.

De acordo com a correspondente do Guardian na Nova Zelândia, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores neozelandês disse que cabe aos tribunais deste país decidir se o pedido de indemnização é executável. Especialistas jurídicos disseram que isso não seria automático e que um novo processo teria de ser aberto num tribunal da Nova Zelândia para decidir a execução da sentença israelita.

O movimento boicote cultural de Israel foi lançado em 2005 e tem dividido os meios artísticos. O movimento, que apela a um boicote, ao não investimento e a sanções, ganhou força nos últimos anos, mesmo que o seu impacto económico seja insignificante, de acordo com o Guardian.

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