"Não me calo!" O protesto popular em exposição

O ISCTE e o arquivo Ephemera inauguram esta segunda-feira uma exposição de cartazes. Da troika ao feminismo, LGBT ou ambiente.

Dos protestos esquerdistas aos de extrema-direita, passando pelas lutas laborais, ecologistas, feministas ou antirracistas, assim é definida a exposição "Não me calo!" Trata-se de uma coleção de cartazes do arquivo Ephemera de José Pacheco Pereira, que irá mostrar peças manuais criadas para protestar. É hoje inaugurada no Espaço Exposições do Edifício II do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Poderá ser vista entre as 10:00 e as 18:00 de segunda a sexta, até 30 de junho.

Esta centena de cartazes, na esmagadora maioria artesanais, foram reunidos em manifestações e estão organizados em três núcleos: a troika, o feminismo e LGBTI+ e, ainda, a emergência climática.

O antigo deputado social-democrata e historiador Pacheco Pereira - que coordenou a exposição em parceria com Luísa Tiago de Oliveira, docente do ISCTE - escreve sobre o pequeno cartaz que dá título à exposição: "Um dos cartazes mais humildes que temos é um pequeno fragmento de cartão, talvez uma aba de uma tampa de caixa, no qual está escrito "Não me calo!", com ponto de exclamação e tudo. É humilde no seu tamanho e expressão, não tem nenhuma qualidade gráfica especial. Mas diz tudo o que há a dizer. Apesar de passar despercebido na parafernália dos livros e papéis, temos muita honra e muito gosto em tê-lo. Não é só um cartaz, é uma palavra de ordem. Não sei quem o fez, mas quem o levou a uma manifestação percebia que falar ou estar calado faz uma diferença gigantesca quando se quer protestar."

Do lixo para a exposição

Pacheco Pereira recorda que a Ephemera tem neste momento mais de 300 cartazes recolhidos em manifestações por todo o país e alguns fora de Portugal. Cartazes que costumam ser abandonados depois dos protestos ou deitados ao lixo e que, afirma o ex-deputado, "são diligentemente recolhidos pelos amigos e voluntários do arquivo e, agora cada vez mais, oferecidos pelos próprios autores depois de exercerem a sua função".

paulasa@dn.pt

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