Morreu o violetista francês Christophe Desjardins

Christophe Desjardins, intérprete do compositor português Emmanuel Nunes, morreu esta quinta-feira, aos 57 anos. O violetista tinha agendada uma atuação, na Casa da Música no Porto, para o dia 1 de maio.

O "músico de excelência" que António Jorge Pacheco, diretor da Casa da Música, esperava para fazer a estreia nacional de Les Espaces Acoustiques, de Gérard Grisey - com o Remix Ensemble e a Orquestra Sinfónica do Porto - morreu esta quinta-feira, aos 57 anos. Christophe Desjardins deixou como legado, dezenas de álbuns, tendo sido distinguido com prémios da imprensa especializada, como o Diapason d'or, Choc du Monde de la Musique, Télérama e Gramophone.

Nascido em Caen, em 1962, Desjardins apaixonou-se pela música logo na infância. O violetista francês fez formação no Conservatório de Paris - tendo sido discípulo de Serge Collot, a partir de 1982 - e na Escola Superior das Artes de Berlim, onde entrou em 1985.

Aclamado por todos, foi viola solista da orquestra do Théâtre de la Monnaie, em Bruxelas, entre 1986 e 1990, e membro do Ensemble Intercontemporain, do maestro e compositor francês Pierre Boulez, a partir de 1990. Desjardins foi, ainda, professor da Juilliard School, em Nova Iorque, e da Escola Superior de Música, de Detmold, na Alemanha. O seu vasto repertório incluía Mozart e Bach, de quem interpretou diferentes obras, incorporando-as em peças contemporâneas e, assim, estabelecendo ligações entre diferentes épocas.

Christophe Desjardins era também especialista e apreciador da obra de Emmanuel Nunes (1941-2012), um dos maiores embaixadores da cultura portuguesa, de quem estreou Improvisation II-Portrait, na Bienal de Veneza, em 2002, obra que viria a gravar, com La Main Noire e Versus III, num álbum inteiramente dedicado ao compositor.

Nas duas últimas décadas da sua carreira enquanto solista, estreou obras de compositores contemporâneos como o britânico Jonathan Harvey, o alemão Wolfgang Rihm, os italianos Ivan Fedele e Luciano Berio, de quem gravou Sequenza VI e, os franceses Michaël Levinas e Pierre Boulez - que o escolheu para gravar Diadèmes, de Marc-André Dalbavie, em 1996. O seu desejo de explorar a música clássica e contemporânea, levou-o a conjugá-la com outras artes, como a poesia, a dança e o vídeo, tendo produzido obras como Il était une fois l'alto.

O intérprete, era presença regular e acarinhada nas salas portuguesas de concerto, passando pelos locais mais emblemáticos do país, como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém e a Casa da Música, tendo feito parte, em 2004, do Projeto Morton Feldman, do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, dedicado ao compositor norte-americano, com a interpretação da obra Rothko Chapel e The Viola in My Life.

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