Morreu o músico Eugénio Barreiros, dos Jáfumega

O teclista dos Jáfumega tinha 60 anos.

O músico Eugénio Barreiros, que fez parte dos Jáfumega, morreu esta semana com 60 anos.

Nascido a 5 de fevereiro de 1959, no Porto, Eugénio Barreiros tinha dois irmãos mais novos, Pedro e Mário Barreiros. Por iniciativa do pai, os três juntaram-se a Abílio Queiroz e formaram os Mini Pop - os miúdos tinham entre 7 e 11 anos anos. Eugénio Barreiros era vocalista e tocava teclas. Nos nos anos 70, os Mini Pop tornaram-se bastante conhecidos e foram uma das revelações do Festival Vilar de Mouros de 1971.

No tema Já não queremos histórias contaram com a participação de José Cid. O grupo chegou a participar no Festival RTP da Canção de 1983 com Menina de Luto. Ao longo dos dez anos que durou a sua carreira, os Mini Pop lançaram sete singles e participaram em cerca de 300 espetáculos, lê-se na Wikipedia.

Depois disso, na década de 1980, os irmãos Barreiros juntaram-se a José Nogueira, Álvaro Marques e Luís Portugal e criaram os Jáfumega. Nos Jáfumega, Eugénio Barreiros tocava teclas e também cantava, mas não era o vocalista principal.

O grupo lançou três álbuns de originais. O primeiro, de 1980, intitulava-se Estamos Aí e nesse eles ainda cantavam em inglês. Mas o êxito do single Dá-me Lume / Ribeira levou-os a mudar definitivamente para o português. É do tema Ribeira a famosa expressão "a ponte é uma passagem... para a outra margem".

O segundo álbum, Jáfumega, tinha Nó Cego, Kasbah e o clássico Latin America. Nesse ano, a banda tocou em Vilar de Mouros. O terceiro álbum, Recados, foi editado em 1983.

Chegaram a atuar em Paris, numa mostra de música moderna, mas apesar de anunciarem um possível novo disco em 1985, o projeto não chegou a bom porto e a banda saiu de cena. Em 1990 surgiria uma antologia com o título Jáfumega.

A separação do grupo deveu-se "em grande parte, à busca individual de outros caminhos musicais e outras áreas culturais", explicaria mais tarde Luís Portugal. Por outro lado, havia "um desgaste de mercado" e "algumas pressões editoriais no sentido de procurar caminhos mais comerciais que foram recusados" pela banda. Resolveram por isso parar.

O grupo reuniu-se em 2013 para alguns concertos mas não voltou a editar. "Havia uma personalidade e esse é um valor que sempre defendemos e hasteámos bem alto em todo o nosso trabalho discográfico e no palco", recordava na altura Luís Portugal ao DN. "Há um naipe de canções intemporal que temos gosto em ter deixado como o nosso legado", continuava, frisando que, além disso, "é bastante atual não só em termos musicais, de produção, como até em termos de palavras". As canções envolvem "textos muito irreverentes, do Carlos Tê e do José Soares Martins", daí que o músico reconheça a sua "importância" no panorama do rock português.

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