Morreu o autor de "A Todos um Bom Natal"

O maestro César Batalha, "pai" do Coro de Santo Amaro de Oeiras, tinha 76 anos. Marcelo Rebelo de Sousa diz que não há quem não conheça os temas "Eu Vi um Sapo" e "A Todos um Bom Natal" e que essas canções "representam a dupla consagração de um artista: ser conhecido pelo seu trabalho e ser menos conhecido do que o seu trabalho".

"Um Maestro que conquistou corações de pequenos e graúdos por este Portugal fora". É assim que o Coro de Santo Amaro de Oeiras se refere ao maestro César Batalha numa publicação no Facebook em que anuncia "com muito pesar" a sua morte, aos 76 anos.

César Batalha foi o criador de músicas como "A Todos um Bom Natal" e "Eu Vi um Sapo", recorda o coro, que realça a "personalidade forte" do mastro, bem como "a direção cheia de vida e garra" daquele que foi o seu "pai".

No domingo, o corpo do maestro irá para a igreja Nova Oeiras, às 11h30. Na segunda-feira, haverá missa às 9h30, depois da qual se realizará o funeral no cemitério de Oeiras.

Notas de pesar de Marcelo e Isaltino

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do maestro recordando-o como um artista cujas criações entraram no imaginário nacional.

"Há artistas cuja obra está indissociavelmente ligada ao seu nome. Mas há também casos em que as criações se desprendem do criador, porque entraram de tal forma no nosso imaginário que já não sabemos a sua origem. Isso aconteceu com César Batalha", escreveu o chefe de Estado, numa mensagem de pesar divulgada este sábado no site da presidência.

Nesta nota, refere-se que César Batalha foi "maestro e fundador, adolescente ainda, do Coro de Santo Amaro de Oeiras".

"É difícil imaginar um português que nunca tenha ouvido o coro, ou que não tenha ouvido dois dos popularíssimos temas que o maestro compôs, 'Eu Vi um Sapo', que venceu o Sequim de Ouro, e 'A Todos um Bom Natal'. Esse grupo vocal e essas canções representam a dupla consagração de um artista: ser conhecido pelo seu trabalho e ser menos conhecido do que o seu trabalho", acrescenta-se.

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, comentou que "o maestro, através do coro Santo Amaro de Oeiras, levou, a música, a arte e a cultura de Oeiras para o mundo".

"Quando se deixa obra, nunca se morre, fica-se para além de nós mesmos", escreveu no Facebook. "Estou profundamente grato ao maestro César Batalha e é com profunda tristeza que me despeço de um dos nossos", acrescentou.

A atual diretora artística do Coro, Leonor Cavaleiro, refere-se ao mastro como "o homem que mais marcou" a sua vida, que foi o seu maior exemplo. "O seu olhar meigo, o seu sorriso doce, ficarão para sempre na minha memória. Por cá, iremos continuar a sua grande obra", escreveu no Facebook.

César Batalha - autor de obras conhecidas do grande público e cantadas por várias gerações, como "Eu vi um sapo" ou "A todos um bom Natal" - fundou o Coro de Santo Amaro de Oeiras em 1960, com apenas 15 anos, tendo aí dirigido "mais de 1.200 pessoas".

Maestro, compositor, organista e professor, César Batalha recebeu vários prémios nacionais e internacionais ao longo da sua carreira, como o Melhor Coro do Ano (1980) e a Medalha de Mérito Artístico da Câmara Municipal de Oeiras (1981).

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