Liv(r)e. O festival de música que celebra online o 25 de Abril

Começa esta sexta e prolonga-se por sábado e domingo. O festival de música Liv(r)e decorre a partir do Facebook. A ideia é celebrar o 25 de Abril de Trás-os Montes ao Algarve com concertos dos Clã, Tiago Sami Pereira e João Berhan, entre outros.

As transmissões acontecem a partir das 21h30 desta sexta-feira na página de Facebook d"A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria (MPAGDP) e na rádio do 23 Milhas, projeto cultural do município de Ílhavo. No dia 25, o festival começa pelas 17h30.

A ideia nasceu do Camaleão , coletivo artístico e estúdio de música na Penha de França, em Lisboa, que decidiu adaptar a festa do seu primeiro aniversário por aquilo a que chamam de grande questão em cima da mesa: "o que significa, para nós, portugueses, passar um 25 de Abril em casa", disse João M. Carvalho, co-fundador e diretor de promoção, em declarações ao Diário de Notícias

Bastou verem o seu repto aceite pelo 23 Milhas e pela MPAGDP, enviado "há pouco mais de uma semana". "Desde então, o trabalho desenvolvido foi hercúleo, envolvendo mais de uma dezena de pessoas a trabalharem continuamente em curadoria, produção, design, comunicação e aspetos técnicos para fazer isto acontecer", explica.

A Rádio 23 Milhas, disponível online e na frequência da estação Terra Nova (105.5 FM, com alcance de Santa Maria da Feira até Coimbra), foi criada há um mês para entreter a comunidade local durante o confinamento; agora, recebe o festival Liv(r)e. Para o diretor Luís Sousa Ferreira, trata-se da plataforma mais natural para a data: "Há 46 anos, também foi a rádio que lançou a senha para a liberdade. Achámos por bem ceder a nossa", diz.

A estação de rádio contribuiu com nomes para o cartaz: os mirandeses Galandum Galandaina, o lisboeta João Berhan e o ilhavense Quiné Teles, para além dos portuenses Clã. "Qualquer forma de expressão artística é, mais que um compromisso com a liberdade, um exercício de liberdade", sublinha a vocalista Manuela Azevedo ao Diário de Notícias. "Parece-nos uma bela forma de festejar o 25 de Abril: com música portuguesa de todos os feitios, inspirações e raízes", diz.

Descentralizar a liberdade

Para Tiago Pereira, "a liberdade só existe com a possibilidade de escolher - e, para escolher, é preciso estar em todo o lado." O fundador da MPAGDP, associação que arquiva o património musical português, traz ao Liv(r)e quatro artistas "do interior e da raia do país". Tiago Sami Pereira, "homem do bombo" dos Roncos do Diabo, vai atuar a partir de Belmonte. O guitarrista João Francisco representa a vila coimbrense da Lousã; o projeto Adélia dá voz às mulheres de Trás-os-Montes, enquanto Pedro Mestre recupera a viola campaniça do Alentejo. Os nomes convocados pelo Camaleão completam o alinhamento. Trata-se dos cantautores lisboetas Tiago Jesus e Vasco Ribeiro, a par dos instrumentistas Mariana Root e Edgar Valente, em respetivo do Douro e da Covilhã (unidos pelo adufe).

No primeiro ano desde 1974 em que o 25 de Abril migra exclusivamente para o digital, o Liv(r)e vai ser um teste do formato. E a organização vai remunerar os artistas. "A nossa perspetiva é simples: quem trabalha merece ser remunerado; o risco deve cair sobre a organização e não sobre os artistas", clarifica João M. Carvalho.

Após um sobressalto nacional com as celebrações da Revolução, a música pode vir por água na fervura - de forma inédita. Tiago Pereira crê num festival "em que todos os artistas são plurais; todos com uma mensagem de liberdade".

Do lado dos Clã, Hélder Gonçalves fala de uma "forma virtual" que "nunca estará à altura da experiência que é tocar ao vivo" - mas admite-a como um "bom remédio" e o possível prenúncio de um "novo "normal"". Mais esperançoso é o tom da vocalista Manuela Azevedo: "Vai ser uma festa a partir de casa, mas será na mesma "uma bela festa, "pá!""

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