Lila e Lenú já são umas mulherzinhas: novos episódios de "A Amiga Genial" na HBO

Estreia esta terça-feira, no canal HBO, a segunda temporada da série que adapta os livros da autora italiana Elena Ferrante.

Lila Cerullo é agora Lila Carracci. O apelido está pregado na porta da nova casa onde, depois do casamento com Stefano, Lila responde pelo nome de "senhora Carracci". Mas Lila não foi feita para ser senhora de ninguém, ela é senhora do seu próprio nariz. É assim que começa A Amiga Genial - Um Novo Nome, a segunda temporada da série baseada nos livros da escritora italiana Elena Ferrante que se estreia esta terça-feira no serviço de streaming da HBO. Para já, estarão disponíveis os dois primeiros episódios, depois, haverá um novo episódio por semana.

As atrizes Margherita Mazzucco (Elena/ Lenú) e Gaia Girace (Rafaella/ Lila) continuam a liderar o elenco. Nesta temporada, encontramos as raparigas com 17 anos. As miúdas que, quando eram crianças, passavam o tempo a ler o romance Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, e a imaginarem como seria a sua vida quando crescessem, são agora elas já umas mulherzinhas. Lenú está no liceu, Lila acabou de casar. Cada uma, à sua maneira, tem de aprender a lidar com o desejo - o seu e o dos homens que as rodeiam. A iniciação sexual de Lila acontece dentro de um casamento infeliz, num contexto de violência doméstica. Enquanto Lila se confronta com as expectativas dos outros em relação ao seu comportamento como mulher casada, Lenú vive a frustração de não ter vivido ainda uma grande paixão e as dúvidas sobre o seu percurso académico (e depois a mudança para a Universidade, em Pisa). Ambas têm de tomar decisões importantes em relação ao seu futuro: o que querem realmente? Casar, ter filhos e ficar no bairro, repetindo o modelo dos seus pais? Ou tentar fazer algo diferente e sair dali, alargar os seus horizontes? E de que maneira cada uma delas o pode fazer? Os leitores de Ferrante já sabem as respostas a estas perguntas mas isso não diminui o prazer de ver esta série - o que é um bom sinal.

Depois dos tons cinzentos que marcaram a primeira temporada, cuja ação se passava no pós-guerra, estes novos episódios vão trazer-nos, gradualmente, o colorido dos anos 60. Um dos aspetos mais maravilhosos dos livros de Ferrante é o modo como ela nos leva a mergulhar, primeiro, naquele bairro, depois da cidade de Nápoles, e, por fim, em Itália, levando-nos ao mesmo tempo numa viagem que começa na década de 1940 e nos traz até quase aos nossos dias. E a série tenta também fazer esse retrato, de um tempo e de um espaço. É por isso que os pormenores são tão importantes: os prédios, as casas, as roupas, os penteados, o dialeto, os muitos figurantes que dão vida àqueles cenários. Nada foi deixado ao acaso.

As convulsões sociais e políticas são o pano de fundo para a história das duas amigas e para o modo como elas próprias vão crescendo e evoluindo, alterando a sua maneira de pensar, os seus objetivos, os seus sonhos. A história de Lila e de Lenú é a história de duas mulheres que cresceram na segunda metade do século XX, divididas entre um modelo tradicional de família e as aspirações feministas. Poderá alguma delas suportar um casamento sem amor? Deverá uma mulher submeter-se às vontades do seu marido? Como escolher entre a família e a carreira?

O projeto de adaptação da tetralogia de Nápoles - como são conhecidos os quatro livros que contam a história da amizade de Lila e Lenù - prevê que cada um dos livros dê origem a oito episódios, cada um deles com cerca de 50 minutos. Tal como os livros de Ferrante, estes episódios exigem que lhes dediquemos alguma atenção; mas, tal como os livros, é provável que se tornem viciantes.

Nesta temporada, dois dos episódios (o quarto e o quinto, cuja ação se passa em Ischia) foram realizados por Alice Rohrwacher (que fez, por exemplo, Happy as Lazzaro), com direção de fotografia de Helene Louvart. Todos os outros episódios são do realizador principal da série, Saverio Costanzo, escolhido por Elena Ferrante.

Há um momento no segundo episódio em que Lenú fica parada na rua observando as pessoas que a rodeiam: rostos de gente cansada, gente que trabalha, gente que está tão ocupada a sobreviver que nem se pergunta se é feliz. Se alguma coisa distingue estas duas raparigas é a sua capacidade de se questionarem, de errarem, e de continuarem a procurar ser felizes, ainda que continuem a errar. Talvez seja isso que nos aproxima delas.

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