K-pop. Do Algarve a Lisboa, jovens unidos pelo sonho da música coreana

Do K-pop, com bandas como os BTS, às séries, chamadas de K-dramas, como Squid Game, até ao taekwondo - A cultura coreana tem vindo a ganhar cada vez mais força em Portugal. Grupos de jovens espalhados por todo o país ouvem música, onde o idioma que reina é o coreano. É este sábado, 2 de julho, no palco do Museu de Lisboa que o K-Pop World Festival Portugal 2022 acontece em simultâneo com a Festa da Cultura Coreana. Um evento onde 14 grupos de dança vão disputar um lugar para a Grande Final deste concurso que vai ter lugar na Coreia do Sul em outubro, juntamente com os vencedores de outros países.

Phoenix. Inspiradas em Madrid


De casacos brancos com faixa preta a imitar o videoclip do original, as Phoenix vão levar a música Wonderland dos Ateez ao K-Pop World Festival. Depois de uma viagem a Madrid para o concerto da banda, tiveram a certeza de que aquela era a escolha acertada para a atuação. "Acho que se esta música tocasse sozinha, sem ninguém dançar, ganhava na mesma. Nós achamos que ela é muito poderosa e muito icónica. Temos uma noção que para um festival precisamos de entregar algo que seja bonito de se ver e muito performativo", afirma Telma, a representante do grupo de covers.

Alguns membros do grupo conheceram-se pela internet em 2018. Foi o gosto pela música coreana e pela dança que as levou à procura de novos elementos para a criação do grupo. Em 2019, ganharam o festival dedicado a covers de K-pop. E em 2021 ficaram em terceiro lugar.

Com idades entre os 19 e os 35 anos, fazem da dança o seu hobbie, tendo cada uma o seu trabalho ou estudo. Quando há um espetáculo tentam treinar duas ou três vezes por semana. "Há também todo um investimento para pagar o estúdio, pagar as roupas, fazer as roupas e temos um rapaz que filma e edita os nossos vídeos."

Os covers têm de ser adaptados à realidade do grupo. Consoante as características de cada uma são escolhidas as posições e são aperfeiçoadas até à última. Os gritos, as palmas e a sensação de estar em palco é o que dá força às Phoenix, mais do que filmar covers para as redes sociais. "O treino, o suor, as esfoladelas, as queimadelas e as lágrimas foram para aquele momento", explica Matilde, convidada para atuar com o grupo.

BBKilling. A vitória inesperada na primeira participação


Treinos, entrada e saída de membros até chegarem ao topo. 2021 foi o ano que marcou a vitória das BBKilling no Kpop Cover Dance Festival. Era a primeira vez que participavam num concurso de covers de música coreana e competiam com grupos mais experientes. Não esperavam a vitória, apenas vinham com o sonho de participar. "Quando anunciaram o segundo lugar, nós já tínhamos até largado as mãos. Já pensávamos: "para o ano há mais". Quando disseram o nosso nome para o primeiro lugar, foi uma festa e uma grande emoção", diz Tatiana, a representante do grupo.

Vermelho e branco são as cores que sobressaem durante o cover da 90"s love dos NCT U, canção que vão levar ao Kpop World Festival. É uma música energética que os próprios membros descrevem como um "caos bom" com que os próprios se identificam.

Apesar de por enquanto ser apenas um hobbie, há planos deste se tornar algo mais profissional. "É um hobbie que ocupa muito da nossa vida e queremos torná-lo outro tipo de coisa. Tentamos treinar quase todos os dias". Os ensaios são sempre em espaços abertos no Cais do Sodré ou no Parque das Nações.

Começaram por dançar nos meets de Kpop - encontros de fãs deste estilo de música. Com idades entre os 19 e os 26 anos, foi nesses meets que tornaram o seu nome conhecido. Hoje pensam em alargar o grupo e abriram audições para atrair as novas gerações. "A faixa etária destas gerações é dos 15 para cima. Isto é para depois os mais novos, quando nós pararmos, continuarem o nosso grupo."

Relight. Do Algarve para Lisboa com música sul-coreana


Do Algarve chegam a Lisboa e trazem música e dança da Coreia do Sul. E até já participaram num anúncio publicitário para a marca Voltaren, embora ainda não tenha sido lançado. As Relight consideram esta como sendo uma experiência que as marcou bastante. Um anúncio sobre um pai que leva a sua filha a um concerto de Kpop e as Relight eram as artistas do concerto, atuando a música Dynamite dos BTS.

Apesar de serem quatro membros, este ano, decidiram apresentar apenas dois no concurso com a coreografia Naugthy das Red Velvet. "Infelizmente não temos disponibilidade para treinar todas. Pelo menos os treinos necessários para ter uma boa atuação. Então decidimos jogar pelo seguro e este ano vamos só participar com dois membros", explica Inês, a representante do grupo.

Contra o consumismo, o grupo tenta sempre inventar com a roupa que já existe no armário, recorrendo às vezes aos armários dos pais. "Nós queremos que pareça o original. É pegar naquilo que temos e inventar."

Seguem o lema "A vida pessoal vem primeiro" e, todas com 19 anos, tentam combinar três dias por mês para um treino intensivo, durante o dia todo. Apesar de hoje o interesse ter diminuído, o gosto pela dança continua. "Não temos tanto tempo nem tanto interesse como tínhamos antes. Não estávamos nada à espera de chegarmos a este ponto e termos tantas atuações."

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