James Dean 'ressuscita'. Ator volta ao cinema através de efeitos digitais

Fotos e imagens antigas permitem que Dean, que morreu há 64 anos, volte a protagonizar um filme. Finding Jack deverá estrear no próximo ano, mas as reações negativas já se fazem ouvir

James Dean vai levantar-se dos mortos. Trata-se de uma ressurreição digital, repleta de efeitos especiais, que permitirá que o ator seja recriado através de uma mistura de fotos e filmagens antigas - a voz será emprestada por outro ator. Mas se alguns fãs podem ficar entusiasmados por voltar a vê-lo nas telas, as críticas também não se fizeram esperar.

A Magic City Films anunciou que obteve os direitos do espólio de James Dean para recriar em Finding Jack a lenda do cinema americano que morreu num acidente de carro em 1955, com 24 anos.

"Estamos muito honrados por a família nos apoiar e tomaremos todas as precauções para garantir que o seu legado de estrela de cinema épica, intacto até hoje, seja mantido", disse o produtor Anton Ernst em comunicado.

E acrescentou: "A família vê isto como o seu quarto filme, um filme que ele nunca conseguiu fazer. Não pretendemos dececionar seus fãs." James Dean protagonizou Fúria de Viver, O Gigante e A Leste do Paraíso.

Este regresso digital de Dean tem gerado reações negativas. "Por favor, não façam isso", escreveu o Vice.com, enquanto a Esquire, numa atitude igualmente crítica, avançou com nomes de 35 atores que poderiam ter sido escolhidos em vez do ícone americano morto há 64 anos.

"Isto é horrível ... a completa falta de entendimento aqui é vergonhosa ", twittou o ator de Os Vingadores, Chris Evans, ironizando: "Talvez consigamos um computador para pintar um novo Picasso. Ou escrever algumas músicas novas de John Lennon." Já Elijah Wood, de O Senhor dos Anéis, limitou-se a um categórico "NOPE".

Já a CMG Worlwilde, que detém licenças da propriedade intelectual de celebridades já falecidas - além de Dean, o músico Chuck Berry e o astronauta Neil Armstrong, por exemplo - considera que este filme irá abrir uma janela de oportunidades.

Em comunicado refere mesmo que a rápida evolução da tecnologia permite ultrapassar uma fronteira completamente nova para os seus clientes icónicos. A Imagine Engine (Canadá) e MOI Worlwide (África do Sul), ambas especialistas em efeitos especiais, terão a seu cargo a recriação de James Dean.

Outros mortos que regressaram

Finding Jack não representa, contudo, a primeira iniciativa para trazer atores falecidos ao grande ecrã. Peter Cushing, que morreu em 1994, regressou como comandante da Estrela da Morte, Grand Moff Tarkin, no filme de 2016 Rogue One: A Star Wars Story , usando imagens criadas por computador. Também Carrie Fisher, que morreu em 2016, surge no novo filme Guerra nas Estrelas: A Ascensão de Skywalker . Neste último caso, são usadas imagens que a atriz gravou antes de morrer.

A empresa que licenciou a imagem de Dean para o filme espera usar a tecnologia para ressuscitar outras estrelas como Burt Reynolds, Christopher Reeve e Bette Davis.

Finding Jack, um filme de ação sobre a guerra do Vietname, deverá ser lançado em 2020. A trama desenrola-se uma década depois da morte de James Dean, que morreu num acidente de carro - um Porsche 550 Spyder - a 30 de setembro de 1955 quando ia para Salinas para participar numa corrida de carros desportivos de luxo.

Dean "desempenhará" um papel secundário no filme que conta a história de cães de guerra abandonados no Vietname pelos militares americanos.

James Dean foi nomeado duas vezes, a título póstumo para o Óscar de Melhor Ator. Tornou-se uma lenda que representou a imagem da rebeldia americana. A morte precoce eternizou o mito, a juventude e a beleza.

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