Exclusivo Invasão literária na Póvoa não esqueceu a Ucrânia

Após a versão online do ano passado, as Correntes d"Escritas regressaram à presença física na 23ª edição e a invasão da Ucrânia não foi esquecida pelos escritores presentes. Entre os mais de 30 livros apresentados está o de Álvaro Laborinho Lúcio que, em entrevista, explica As Sombras de Uma Azinheira.

A canção Sodade, tornada famosa pela cantora cabo-verdiana Cesária Évora, foi o tema de uma das sessões públicas das Correntes d"Escritas. Nada melhor do que que pegar em canções para subordinar os debates entre escritores no Cine-Teatro Garrett e Sodade evocava também as mais de vinte edições anteriores em que se reuniram na Póvoa gente vinda de todas as escritas de expressão portuguesa e espanhola e que no ano passado estiveram impedidos de celebrar a literatura. Um ano depois, a saudade matou-se com uma semana inteiramente dedicada à cultura e essa canção serviu de pretexto a referências, como a ausência de Luis Sepúlveda, vítima da pandemia e que todos os anos marcava presença na Póvoa de Varzim.

Também a invasão da Ucrânia esteve de início bastante presente nas conversas fora das sessões, no entanto a partir da mesa Sodade essa situação mudou radicalmente. Tanto assim que um dia depois, na última mesa e na sessão de encerramento, a guerra esteve sempre na boca de quem subiu ao palco. Na sua intervenção, João Gobern disse "não contem comigo para cenários de guerra", Onésimo Teotónio Almeida referiu o "tempo depressivo da invasão da Ucrânia" e Ondjaki assinalou um duplo "equívoco": a ausência de Sepúlveda e a guerra, lembrando as palavras de um seu tio sobre esta ser "um grande erro". A fechar a edição, foi a vez da ministra da Cultura, Graça Fonseca, insistir no drama dos acontecimentos a leste, criticar o que aí se passa e contrapor que as 23 edições ininterruptas das Correntes mostravam como existe "lugar para ouvir os outros".

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