"The Nun": o diabo veste de freira

O novo spin-off da saga The Conjuring já está nas nossas salas, e com muito pouco sentido de invenção no género do terror.

O pretexto de um mosteiro amaldiçoado poderia ser suficiente para contar uma boa - ou pelo menos interessante - história de terror. Até o facto de esse mosteiro se situar em paisagem romena, tal como o Castelo do Drácula, tem o seu apelo. Mas The Nun - A Freira Maldita, que no início da semana fez as honras de abertura do Festival MOTELx, não é fita para aguentar o rico imaginário que sugere. E muito menos acrescentar algo ao universo específico de The Conjuring (a saga inspirada nos casos verídicos investigados pelo casal norte-americano Ed e Lorraine Warren, em torno de ocorrências sobrenaturais).

A Freira Maldita do título é uma personagem que apareceu pela primeira vez em The Conjuring 2 - A Evocação, de James Wan, através de uma pintura de Ed Warren que aí ganhava vida. O novo filme surge então como o spin-off que nos quer dar a conhecer as origens desse demónio de vestes religiosas, na década de 1950. Assim, esta narrativa gótica vai centrar-se num padre (Demián Bichir) e numa freira novata (Taissa Farmiga) que, por incumbência do Vaticano, chegam ao referido território assombrado para averiguar a circunstância do suicídio de uma jovem irmã da congregação. E com eles trazem fantasmas do passado, que querem ajudar à festa...

No entanto, The Nun, assinado por Corin Hardy (realizador com apenas uma longa-metragem no currículo, The Hallow), não tem muito para oferecer. Nem mesmo se pusermos na equação o facto de ser um projeto apadrinhado por James Wan, que produziu e dividiu os créditos do argumento com Gary Dauberman. Simplesmente, não há aqui nenhuma ideia inovadora de como encenar o terror - e isso é algo em que Wan, não sendo genial, se tem revelado muito competente e dinâmico do ponto de vista da técnica.

Por sua vez, Hardy apresenta-nos um filme igual a qualquer produto de série da grande indústria cinematográfica, com todos os tiques do susto altamente previsível e as mais gastas noções do espaço de ação. Cada movimento da câmara está à mercê de clichés que não só tornam a experiência enfadonha como depreciam o que quer que se vislumbre como potencial narrativo ou sentido de atmosfera de medo. Quanto às personagens, nem vê-las: são peões ao serviço de um joguinho de sobressaltos, que nem sequer chegam a produzir efeito. Em duas palavras ligeiras, é uma seca descomunal.

* (Medíocre)

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