Os Homens de Negro já não são o 'clube do Bolinha'

Está de regresso a 'franchise' que ficou conhecida pelo carisma da dupla Will Smith e Tommy Lee Jones. Ao quarto filme, já não temos nem um nem outro, mas Chris Hemsworth e Tessa Thompson também não ficam mal de fato negro...

Passaram-se sete anos desde a última vez que vimos Will Smith e o veterano Tommy Lee Jones - ou agentes J e K - juntos na missão de proteger a Terra de ameaças alienígenas, e de se protegerem um ao outro. Os chamados Homens de Negro, ou Men in Black (MIB), que trabalhavam para a agência secreta responsável pela monitorização de encontros e atividades extraterrestres, penduraram a farda e deram lugar a uma nova parelha, felizmente já treinada noutras andanças: Chris Hemsworth e Tessa Thompson, que mostraram uma dinâmica bem concertada em Thor: Ragnarok (2017), só tiveram que transferir esse arranjo conseguido no universo dos super-heróis para um cenário com outro estilo de ação.

Fica patente que a novidade mais simbólica deste MIB: Homens de Negro - Força Internacional, de F. Gary Gary, é ter uma figura feminina a ganhar protagonismo dentro de um ambiente declaradamente masculino (será um sintoma óbvio da era #MeToo, mas, para todos os efeitos, a designação da agência não muda). E não está sozinha. No último Men in Black Emma Thompson (agente O) dava um ar de sua graça como a mulher que assumia o lugar de chefe da organização, e é ela quem, mantendo-se ainda no cargo, recruta aqui a estagiária para as funções que desde pequena sonhou desempenhar - um prólogo informa-nos de que a família desta futura agente M foi visitada por um alienígena quando ela era criança e, ao contrário dos pais, a sua memória não foi apagada pelos MIB que trataram da ocorrência. Desde então, aspirou a ser um desses funcionários ocultos.

Pois bem, de óculos escuros, camisa branca, fato e gravata negros, a agente M está pronta para meter o nariz na primeira missão que lhe sugerir estar à medida das suas capacidades, e sobretudo de um certo desejo de ação. É aí que o seu destino se cruza com o do charmoso agente H (Hemsworth), precedido pela fama de ser o melhor dos melhores, a par com o traquejado agente T Grande (Liam Neeson, mais do que adequado para o papel). Ultrapassadas as primeiras inseguranças, M e H vão seguir as pistas de uma nova ameaça alienígena, percebendo que existe um traidor dentro da organização. E pelo caminho fazem um novo amigo, Pawny (uma espécie de sapo-samurai à la Kurosawa), que será, sem sombra de dúvida, a criatura mais cómica e amorosa do filme.

Com muita ação, gadgets, figuras excêntricas, truques digitais e um argumento mais ou menos desenvolto, é justo dizer que este relançamento de Men in Black cumpre os requisitos mínimos do tipo de aventura que se está à espera, desde logo, concentrando a sua dose de simpatia e magnetismo na dupla em causa, mesmo que num sentido descartável. Por outras palavras: não inventa demasiado ao ponto de estragar, mas também não entusiasma.

Curiosamente, aquilo que à partida poderia surgir como uma nova agenda para a franchise - a questão feminista - acaba por não ser explorada com um propósito discursivo. E, entenda-se, não há problema nenhum com isso... Embora possa soar a oportunidade perdida, a verdade é que a postura de igualdade desta mulher entre os Homens de Negro é mais do que suficiente para afirmar um lugar sem fazer disso um conteúdo panfletário, descaradamente oportunista e politicamente correto.

Já para quem tiver saudades de Will Smith e Tommy Lee Jones, atente à pequena homenagem que se vislumbra na parede do escritório de Liam Neeson. Nestas coisas, há sempre piscadelas de olho para os fãs.

Classificação:
** Com interesse

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