O criador de A Guerra dos Tronos também se irrita com os fãs

George R.R. Martin esteve em Portugal em 2012 quando soube que a HBO queria fazer mais uma temporada de A Guerra dos Tronos. Um tempo em que o autor ainda promovia os livros e prometia mais títulos da saga.

Quando George R.R. Martin esteve em Portugal em 2012 a saga A Guerra dos Tronos ainda não tinha o efeito global que veio a ter nos anos seguintes. Tanto assim que enquanto dava a entrevista ao DN, Martin recebeu a notícia do agente de que ia haver uma terceira temporada e o sorriso que fez notou-se bem no rosto.

Não era só ele que estava satisfeito, também ficou a editora Saída de Emergência, que publica em Portugal a coleção de As Crónicas de Gelo e Fogo, o fenómeno literário de que resulta a série mais famosa do mundo, pois naquela altura havia poucos leitores para garantir a edição dos dez volumes que George R.R. Martin prometia escrever.

Passados alguns anos, ainda vai em pouco mais de metade, tendo lançado outros títulos entretanto, como Sangue e Fogo: A História dos Reis Targaryen - Livro 1: Parte 1 em novembro, passado séculos antes dos acontecimentos de A Guerra dos Tronos.

O escritor confiava nos seus escritos e na entrevista de 2012 ao DN disse: "Este é o meu grande trabalho literário e será por ele que ficarei conhecido." Tinha razão, pois só os mega fãs é que se lembram do resto que já escreveu.

Martin viera promover os livros a Lisboa e ao Porto e até disse nessa altura que "gostaria de saber mais sobre a História de Portugal". Apesar de considerar esta saga como a sua obra prima, não estava confiante quanto ao sucesso da digressão portuguesa e até avançava: "Decerto não será como na Eslovénia, onde só parei ao fim de sete horas. Estava exausto e já nem sabia o que fazia."

"Durante uma conversa com jornalistas, um deles questionou se acabaria a história antes de morrer."

Enquanto esteve em Portugal, fez uma visita inspiradora ao esotérico Palácio da Regaleira em Sintra e deu entrevistas. George R.R. Martin era um entrevistado simpático, mas exigente pois não queria ser interrompido durante as suas longas respostas, eliminando as perguntas preparadas com tanta conversa, respondendo ao contrário do que os seus personagens de A Guerra dos Tronos fazem, bem como os dos livros, com frases curtas e poderosas que entusiasmam os leitores/espectadores.

O próprio confessava que já escrevera para televisão e sabia o segredo: "Sei que é impossível pôr em dez episódios de uma hora um livro inteiro. O bom seria aumentar a temporada para doze episódios".

Isso não aconteceu, no entanto a boa notícia de que haveria mais uma temporada de A Guerra dos Tronos seria multiplicada até à oitava e última temporada que estreia oficialmente esta segunda-feira à noite em Portugal - exceto para aqueles que já viram o episódio esta madrugada na HBO ou SyFy a transmissão simultânea para todo o mundo. E George R.R. Martin nunca mais veio a Portugal dar autógrafos porque o sucesso global de As Crónicas de Gelo e Fogo [o título original dos livros da saga] ultrapassou tudo o que se pudesse esperar.

O autor, aliás, estava desejoso de regressar a casa para continuar a escrever a saga: "Quero isolar-me para terminar o próximo volume, do qual já escrevi 200 páginas. O problema é que os meus livros têm sempre mais de 500 páginas e a escrita leva-me tempo."

George R.R. Martin ainda estava tão distante do tempo em que A Guerra dos Tronos lhe havia de modificar a vida por completo e não negava um regresso à ficção científica que lhe abrira as portas à literatura, se bem que colocasse uma direção ao contrário do habitual: "A ficção científica tanto pode ser para o futuro como para o passado."

O seu desejo confessado nessa entrevista em 2012 era apenas um: "Preciso de tempo para estar à altura do que já escrevi e para que ninguém possa afirmar que fechei o ciclo de uma forma menos nobre devido ao sucesso."

Sucesso de dedo espetado

A placidez da entrevista dada em Portugal nem sempre se repete nas que George R.R. Martin concedia, nem mesmo era pacífica a sua relação com a imprensa. Foi notícia o dedo espetado a dizer "fuck you" dois anos depois - já A Guerra dos Tronos era um imenso sucesso - durante uma conversa com jornalistas, sendo que um deles o questionou se acabaria a história antes de morrer. Indiretamente, a pergunta de um jornalista suíço acusava-o de uma relativa preguiça e de não estar interessado em satisfazer os fãs curiosos com a continuação da saga. George R.R. Martin não gostou da questão do suíço e declarou-a como "muito ofensiva", espetando o tal dedo do meio em plena conferência de imprensa.

"O único número oficial que existe sobre os livros desta saga é de 2016: 70 milhões de exemplares em 40 países"

Nada que já não tivesse acontecido muito antes, em 2009, quando ainda quase se desconhecia o interesse da HBO na adaptação e um fã reclamara sobre a demora no novo livro, levando como resposta "alguns de vocês ficam incomodados por eu passar tempo a ver desafios de futebol em vez de estar a escrever." E acrescentava que nem todos os fãs eram simpáticos: "Afinal, como vocês dizem nos emails que me mandam, eu estou velho e gordo."

Proibir falar sobre os livros da saga

Desde que ficou famoso à escala mundial, as entrevistas de George R.R. Martin passaram a ter um código de conduta especial. No recente lançamento em novembro de Sangue e Fogo, os jornalistas receberam instruções específicas para não fazer uma pergunta sequer sobre o sexto volume da série Crónicas de Gelo e Fogo, que estava a ser escrito desde 2011. Apesar dessas restrições, Martin aceitou falar sobre a série A Guerra dos Tronos, tendo dito que a inspiração partira de um acontecimento histórico, a Guerra das Rosas. Também revelou que se "eu fosse 30 anos mais novo" escreveria outras sequelas em cima da história principal,

Milhões que ninguém sabe contar

George R.R. Martin vendeu os direitos de As Crónicas de Gelo e Fogo ainda em 2007, sendo que a rebatizada A Guerra dos Tronos se tornou no seu cartão de visita e fazedor de dinheiro. Dizem algumas publicações que cada temporada se transforma em 15 milhões de dólares anualmente e que os restantes livros somam mais dez milhões à conta bancária, tornando o homem que continua a viver de forma frugal e sem tiques de estrela um destacado milionário entre os escritores.

Garante George R.R. Martin que o seu maior desejo continua a ser o de ter tempo para escrever, mesmo que os argumentistas da série digam que ficaram sem material novo para continuar a redigir novos episódios.

A grande pergunta é quantos livros já vendeu? As contas não são públicas, sendo que o único número oficial que existe sobre os livros desta saga é de 2016: 70 milhões de exemplares em 40 países. No entanto, 2016 ainda era quase a pré-história da mania de A Guerra dos Tronos e este total há muito que deve estar ultrapassado!

A máquina em torno dos livros de George R.R. Martin não vai parar após o fim da última temporada de A Guerra dos Tronos, sendo que a plataforma de streaming Hulu já anunciou que vai dar forma aos livros do autor da série de livros Wild Cards. Serão duas séries que descrevem o pós-pesadelo provocado por um vírus extraterrestre que mata 90% dos que infeta e que foi despejado sobre Manhattan em 1946. O vírus é passado ao longo de várias gerações e cria alterações violentas nas vítimas. A série Wild Cards teve três edições no último ano e a próxima é ainda este mês, o relançamento do título Jokertown Shuffle.

Entre outras publicações recentes de George R.R. Martin estão as novelas gráficas, Starport e Windhaven, bem como o Livro para Colorir de A Guerra dos Tronos e também uma edição ilustrada da obra que deu origem à série.

George Raymond Richard Martin nasceu em 1948 nos Estados Unidos. Era conhecido como contista e autor de literatura fantástica, de terror e de ficção científica. Foi produtor e argumentista de televisão. Tornou-se mundialmente conhecido devido à adaptação da sua saga As Crónicas de Gelo e Fogo na série da HBO como A Guerra dos Tronos. Foi considerado em 2011 uma das 100 pessoas mais influentes no mundo.

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