Maria João Pires e Beethoven marcam a temporada clássica da Gulbenkian

Dois concertos este fim de semana com o maestro Herbert Blomstedt encimam uma programação que vai até ao final de maio e na qual se faz já sentir a efeméride dos 250 anos do nascimento de Beethoven, que em 2020 se assinalam.

Este ano cabe à Orquestra Juvenil Gustav Mahler dar início à programação clássica da temporada da Gulbenkian. Facto que por si só merece realce é o de, no estrado da direção, ir estar o maestro sueco Herbert Blomstedt, que, com uns incríveis 92 anos completados em julho, continua a correr mundo! Do programa constam obras de Strauss, Mahler e Beethoven (este sábado) e de Dvorák e Bruckner (amanhã, domingo). Referência ainda para a presença em ambos os concertos, como solista, do notável barítono alemão Christian Gerhaher (canções de Mahler e de Dvorák).

Setembro será ainda tempo para alguns concertos "fora da caixa", como uma gala lírica no Vale do Silêncio, nos Olivais (dia 14) integrada no "Lisboa na Rua", ou um concerto coral no Panteão Nacional (dia 27). Entretanto, terá começado (dia 21) o ciclo Oriente/Ocidente, inserido nas comemorações dos 150 anos do nascimento de Calouste Sarkis Gulbenkian, cuja programação estabelece muitos cruzamentos com a chamada world music, mas que também inclui a presença de... Maria João Pires (no próximo dia 23)!

Maria João Pires

O nome da grande pianista portuguesa é óbvia cabeça de cartaz na programação 2019-20 da Fundação. Após uma ausência dos palcos lisboetas de vários (demasiados!) anos, e no seguimento do seu re-estabelecimento em Belgais (perto de Castelo Branco), onde tem desenvolvido uma programação regular e muito site specific, Maria João Pires será nesta temporada "artista em residência", com três aparições no Grande Auditório: a acima referida (acompanhando um soprano arménio), mais 13 de novembro e 21 de março. Em novembro, ao lado da pianista arménia Lilit Grigoryan (obras de Mozart) e em março, enfim, a solo, tocando obras de Beethoven e de Debussy.

Meio século com Corboz

Outro destaque é a passagem, este dezembro, dos 50 anos desde que o maestro suíço Michel Corboz assumiu as funções de maestro-titular do Coro Gulbenkian, tinha ele uns jovens 35 anos! O facto será assinalado em grande, e justamente em dezembro, com uma dupla apresentação do ciclo completo (seis cantatas) da "Oratória de Natal", de J. S. Bach (13 a 16/12).
Face a Corboz, Lorenzo Viotti, 29 anos, titular da Orquestra, faz o seu 2.º ano nessas funções e inaugura-o a 17 e 18/10, com a "Terceira" de Mahler. Até 29/5, a Orquestra Gulbenkian fará, tudo incluído, 28 diferentes programas espraiados por 58 concertos.

Beethoven

2020 é Ano Beethoven. Celebra-se os 250 anos do nascimento daquele que é porventura o mais influente compositor da história da música ocidental. A Gulbenkian marca a festividade em grande, anunciando já o ciclo integral das nove sinfonias, mais o das 32 sonatas para piano e o dos 17 quartetos de cordas - estes últimos, tocados ao longo de dois dias (25 e 26/1) por seis agrupamentos da nova geração, numa parceria com a Philharmonie de Paris.

Óperas no palco e no ecrã

A ópera também marca presença na temporada, com três títulos: o Yevgeni Onegin, de Tchaikovsky, dirigido pelo titular da Orquestra, Lorenzo Viotti (6 e 8/3); a Erismena, de Cavalli (séc. XVII) por Leonardo Garcia Alarcón, maestro associado da OG (4 e 5/5); e The Sleeping Thousand, do israelita Adam Maor, ópera que vem do Festival d"Aix-en-Provence (16/1) e que põe em cena a difícil relação de israelitas e palestinianos.

No ecrã, trata-se das transmissões (em direto ou em diferido) do Metropolitan de Nova Iorque, que começam a 12/10 com a Turandot, de Puccini, seguindo-se mais nove títulos, acontecendo o último, a Maria Stuarda, de Donizetti, a 9/5.

Cinema

Enorme popularidade têm as propostas de cinema acompanhado da Orquestra (e, por vezes, do Coro) ao vivo. Este ano, a oferta é tripla, com a Fantasia, de Walt Disney, pelos dias de Natal (20 a 22/12), seguindo-se - na prossecução da saga Star Wars - O Império Contra-Ataca (9 a 11/1) e terminando com Serenata à Chuva, a 29 e 30 de abril.

Haverá além disso, um concerto em que será tocada a Suite realizada por Michel Legrand a partir da sua banda sonora para o filme Os chapéus-de-chuva de Cherburgo (17/11).

O luxo do piano

Este ano, o ciclo de piano alinha nove recitais, com preponderância de nomes da "escola russa", como Volodos, Lugansky, Leonskaja, Pletnev ou Sokolov (que fecha o ciclo, a 18/5). Mas há além disso outros nove grandes pianistas que aparecerão com a OG ou em música de câmara ou fora do ciclo, entre os quais se contam Martha Argerich (com Mischa Maisky, a 10/2), Mitsuko Uchida (13/1 e 17/4), Nelson Freire (7 e 8/5), Beatrice Rana (23 e 24/1) ou Javier Perianes (19/3) - de Maria João Pires já falámos.

Mas há "estrelas" noutros instrumentos, de que se destaca a estreia na Gulbenkian da magnífica violinista norueguesa Vilde Frang (2 e 3/4). Mas já este mês, outra grande violinista, Isabelle Faust, faz um recital a solo integralmente dedicado a Bach (dia 28). E no canto vêm Mathias Goerne (26 e 27/3), Joyce DiDonato (20/5), Peter Harvey e Sandrine Piau (8 e 9/4), e Ana Quintans (13 e 14/2).

Destaque final para a escolha do acordeonista João Barradas (27 anos) para artista "Rising Star", o que o levará em digressão ao longo da temporada pelas salas que integram a ECHO-European Concert Hall Organisation. Em Lisboa, a data é 16 de fevereiro.


Temporada Gulbenkian de Música
de setembro 2019 a maio 2020
informações em: gulbenkian.pt/musica/

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