Esta não é a verdadeira "Mona Lisa" mas está no centro de uma batalha legal

Um homem diz ser dono de 25% da "Mona Lisa de Isleworth", que é considerada um estudo de Da Vinci para "Mona Lisa". O caso vai ser avaliado por um tribunal de Florença.

Há quem pense que se trata de uma cópia sem valor, há quem defenda que se trata de um estudo para o quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, que se encontra exposto no Museu do Louvre, em Paris. Seja como for, esta "Mona Lisa de Isleworth" parece, afinal, ter algum valor. De tal forma, que até há um processo em tribunal a reclamar a sua propriedade.

Conhecida como a "Mona Lisa anterior", a obra foi descoberta no início do século pelo colecionador Hugh Blaker, numa casa de campo em Isleworth, na Inglaterra. Convencido de que se tratava de um estudo para a célebre pintura de Gioconda, o padrasto de Blaker, John Eeyre, publicou um estudo argumentando que esta era uma obra legítima de Da Vinci que, na verdade, é conhecido por fazer várias versões das suas obras.

Depois da morte de Blake, a obra foi vendida ao colecionador Henry F. Pulitzer, que também a tomou como legítima. Em 1966, o conhecido colecionador publicou o livro Where is the Mona Lisa?, que defendia que esta era, afinal o único retrato que Leonardo tinha feito de Gionconda.

Pulitzer guardou o quadro num cofre num banco na Suíça e, depois da sua morte, ele passou a pertencer à viúva, Elizabeth Meyer. Quando ela morreu em 2008, a pintura foi então adquirida por um consórcio de colecionadores e tem sido exibida numa série de galerias, nomeadamente em Singapura em 2014 e em Xangai, dois anos depois.

Em junho passado, o quadro esteve esteve exposto no Palazzo Bastogi, em Florença, Itália. Foi a primeira vez que foi mostrado na Europa neste século. Quando a exposição terminou, um homem, cuja identidade não é até agora conhecida, entrou com uma ação legal reclamando a propriedade de um quarto da obra. O seu advogado, Giovanni Battista Protti, diz ter provas históricas de que Elizabeth Meyer era apenas proprietária de três quartos da obra, uma vez que a Pulitzer Gallery tinha vendido 25% da pintura a Leland Gilbert, um industrial da porcelana estabelecido em Portugal.

O homem que agora reclama a posse de um quarto da obra é herdeiro de Gilbert. O advogado diz ter consigo um documento de 1964 que é uma "ordem de compra" em que a Pulitzer Gallery aceita vender um quarto da pintura por 4 mil libras (o que corresponde a mais de 99 mil euros, atualmente).

Para evitar que esta Mona Lisa voltasse para a Suíça, o reclamante pediu a um tribunal de Florença retivesse o quadro em Itália até que termine a investigação sobre os seus proprietários. Esse pedido será avaliado na segunda-feira.

Uma vez que os proprietários da obra também não são conhecidos, não foi possível contactá-los. Mas uma organização intitulada Mona Lisa Foundation, situada em Zurique, que foi criada para investigar a história da obra de arte mais conhecida de Leonardo Da Vinci, respondeu à estação de televisão norte-americana CNN, que não acredita que a alegação tenha qualquer fundamento. A Fundação vai ser ouvida no tribunal.

No entanto, o advogado, que está a trabalhar no caso pro bono, garante que a família está determinada em levar este caso até às últimas consequências. "Isto não tem a ver com dinheiro", disse à CNN, explicando a família não tem dificuldades financeiras e não está a fazer por dinheiro. "Os objetivos do dono da pintura querem que a pintura seja exibida ao público, não querem mantê-la por mais 40 ou 50 anos em cofres de bancos na Suíça", explicou. "Isto não tem a ver com o seu valor para um indivíduo mas para a humanidade."

Por outro lado, os responsáveis da Mona Lisa Foundation consideram que esta alegação só surge agora porque no último ano, devido às comemorações dos 500 anos de Da Vinci, a obra do artista renascentista tem sido muito falada e, por isso, valorizada. "A obra já é conhecida há tanto tempo, porque é que só se lembraram agora?", questiona Joel Feldman, diretor da Fundação.

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