Diretor de Museu Serralves demitiu-se

O diretor do Museu Serralves demitiu-se esta sexta-feira, mas a posição oficial só deverá ser anunciada no início da semana

João Ribas não chegou a completar um ano à frente do Museu Serralves, cargo que assumiu a 25 de janeiro. Em causa, terá estado a exposição de Robert Mapplethorpe, inaugurada esta quinta-feira. O diretor discordou do facto das peças com caráter sexual estarem numa sala à parte e interditas a menores de 18 anos, além da retirada de imagens com conteúdo sexual mais explícito, apurou o DN.

Ao Público, João Ribas disse que "já não tinha condições para continuar à frente da instituição".

A decisão apanhou de surpresa funcionários e outros membros do Museu de Serralves e da Fundação Serralves.

Esta é a primeira exposição em Portugal do artista norte-americano Robert Mapplethorpe (1946-1989) que, inicialmente, era constituída por 179 , desde colagens e polaroids até as fotografias provocatórias de Patti Smith e Iggy Pop e outras de cariz sexual. Alguns desses trabalhos foram colocados numa sala reservada a maiores de 18 anos e com o aviso de "dimensão provocatória e carácter eventualmente chocante da sexualidade de algumas das obras".

João Ribas dissera à agência Lusa, antecipando a inauguração, que as imagens tinham sido mostradas a dezenas de museus no mundo inteiro e que Mapplethorpe é "uma das grandes figuras da fotografia" e "um artista conceituado que continua a ser influente na fotografia contemporânea".

"Houve muitas exposições com milhares de visitantes e acho que é uma das grandes figuras da arte contemporânea, não consigo fazer essa projeção", acrescentou, referindo que uma exposição tem sempre a função de despir o público de preconceito.

Assim não entendeu a Administração do Museu Serralves, que fez uma seleção das peças a expor. E o diretor ter-se-á sentido desautorizado

João Ribas, de 38 anos, foi nomeado quatro anos depois de ter sido apresentado como diretor adjunto do Museu de Serralves, Na altura, em declarações ao DN, prometeu, "uma nova forma de pensar, novas ideias e novas iniciativas".

Foi, então, revelada a programação para este ano de Serralves, já com a sua marca, não havendo "uma divisão assim tão clara no sentido em que nos últimos quatro anos também estive a construir a programação do museu, algo que se refletiu em exposições que fiz para o museu e a nível internacional, como por exemplo a retrospetiva de Helena Almeida", referiu. E comentou: "Mas, claro, vai haver um novo ciclo de programação, com novas ideias, novos horizontes e novas práticas artísticas. Temos um exemplo para este ano que é a exposição dedicada a Robert Mapplethorpe, que eu iniciei e que reflete também a minha marca na programação".

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