Comic Con. "O conteúdo da cultura pop é eterno e passa de geração em geração"

Diretor-geral da Comic Con Portugal diz ao DN que falar de cultura pop é falar de geraçõe

É um aficionado pelo mundo da banda desenhada, videojogos, filmes e séries e, desde 2014, diretor-geral da Comic Con Portugal, o maior evento de cultura pop do país. Em entrevista ao DN, Paulo Rocha Cardoso falou sobre a importância do património geracional português e estrangeiro e revela ainda a razão para a mudança do local do evento, que regressa já no dia 6 de agosto.

A poucos dias de cortar a fita para a 5.ª edição da Comic Con, o diretor-geral lembra por que razão tudo nasceu. Sobretudo, para "ligar gerações". Se o assunto é cultura, é fácil dividir a discussão por décadas que separam hoje avós, pais, netos e filhos. Mas Paulo lembra que há sempre uma forma de fazer conviver os interesses de todos.

"Quando levamos para exposição conteúdo de Star Wars ou Indiana Jones, são os pais que reconhecem. Mas quando marcas como a Disney entram em ação já estamos a tocar na cultura dos filhos", explica. Falamos assim dos tempos em que os super-heróis eram os cowboys aos gamers e youtubers da atualidade.

A cultura, recorda, é tocar naquilo que "a dada altura da nossa vida representou algo para nós". "O simples pião, um brinquedo de madeira", por exemplo, "foi, em tempos, a cultura pop de uma geração".

Há, contudo, elementos e personagens culturais com largas décadas de existência que ainda hoje são reconhecidos pelos mais novos, mesmo que surjam em formatos distintos daqueles em que originalmente foram criados. Paulo Cardoso não hesita em apontar exemplos, como a banda desenhada (BD), que inspirou tantos filmes que ainda fazem sucesso junto dos mais novos - como a famosa história aos quadradrinhos brasileira "Turma da Mónica", agora com presença digital, e que estará representada pelo seu criador, Maurício de Sousa, nesta edição Comic Con -, bem como obras cinematográficas que voltaram a ganhar vida - como a saga Star Wars.

"Não perdemos a nossa nacionalidade e é importante fazer esse elogio"

Quando questionado sobre os desafios que se impõem numa sociedade regida por uma cultura em constante mudança, Paulo responde que "a plataforma muda, mas o conteúdo é eterno e passa de geração em geração".

Olhar de dentro para fora

A Comic Con contará com filmes, séries, youtubers e até profissionais ou amadores criadores de BD portugueses. "Este ano especialmente", mas todos os anos outros, diz Paulo Cardoso: tem feito parte dos desafios e preocupações da equipa por detrás do evento a representação nacional. Isto fruto da consciência de que uma iniciativa do género acontece sob os olhos internacionais pode ajudar a partilhar e a tornar reconhecido o trabalho realizado em Portugal.

"Não há nenhuma área do evento em que não tenhamos bom conteúdo português", garante o representante. Com tanto produto estrangeiro a entrar diretamente em solo português, frisa, e "tendo sido nós descobridores do mundo, não perdemos a nossa nacionalidade e é importante fazer esse elogio". A montra nacional ganha, por isso, protagonismo durante os quatro dias de Comic Con.

A abertura de espaços como "Artists Alley" e "Spotlight", onde artistas independentes podem expor os seus trabalhos, e ser avaliados pelos mesmos por editoras de renome, é exemplo disso mesmo. "Ganhamos aqui uma porta para tornar o nosso conteúdo representativo a nível mundial", explica Paulo.

Quando o evento começou a dar os primeiros passos em Portugal, o conteúdo nacional foi, contudo, uma surpresa. "Séries como Duarte e Companhia, Capitão Falcão, Balas e Bolinhas são cultura pop cá. Balas e Bolinhos foi um êxito na 1ª edição e uma surpresa para todos: a certa altura, tivemos que parar a sessão de autógrafos. Isto mostra que nós temos muitos conteúdos bastante representativos", explica o diretor-geral.

Comic Con com nova morada

As novidades da 5.ª edição da Comic Con, que acontece de 6 a 9 de setembro, começam pelo próprio local. O evento que até agora tinha lugar em Matosinhos acontece este ano em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés, e Paulo Rocha Cardoso diz que a mudança é consequência da necessidade de responder ao número de visitantes que cresce todos os anos.

Apesar de ainda não conseguir adiantar quantos fãs da cultura pop irão marcar presença nesta edição, adianta que quando o evento começou a ser pensado para 2013, a intenção era chegar a 2018 com 100 mil visitantes - margem já ultrapassada na 4ª edição, em 2017.

Um novo e maior recinto, a chegada de marcas como PlayStation, a recriação de cenários de novos filmes da Disney, lançamentos exclusivos e até castings são algumas das novidades deste ano. Sem adiantar mais, o diretor-geral do evento diz apenas que "é como um novo evento que vai nascer agora em setembro".

Quando questionado sobre se Lisboa continuará a fazer parte dos planos, Paulo diz que "o norte nunca ficará fora de rota". "Enquanto formos Comic Con Portugal, tudo é possível", remata.

O evento teve origem em San Diego, nos Estados Unidos, e acontece em Portugal desde 2014.

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