Chegada à Lua acontece no CCB

A partir deste sábado, e a aproveitar as noites de verão, o CCB acolhe sessões ao ar livre, até setembro. O ciclo arranca com O Primeiro Homem na Lua, de Damien Chazelle (que passa no mesmo dia nos TVCine).

No dia em que se comemoram os 50 anos do pequeno grande passo de Neil Armstrong na superfície lunar, ver o filme O Primeiro Homem na Lua ao ar livre não poderia ser um programa noturno mais sugestivo e adequado. Esta última obra do realizador do badalado La La Land: Melodia de Amor, Damien Chazelle, é uma incursão íntima na história do astronauta cujo drama da morte de uma filha, ainda bebé - antes do seu grande feito -, lhe marcou profundamente tanto a vida familiar como a profissional.

Odisseia do foro privado protagonizada por Ryan Gosling, este é um filme que se afasta da mais óbvia abordagem pelo ângulo da espetacularidade, para antes cruzar os bastidores do programa espacial Apollo - o conjunto de missões que conduziram ao histórico momento em que Armstrong pisou a Lua - com esse universo mais reservado da sua pessoa. Alguém tomado pela angústia, depois da tragédia pessoal, que teve consequências no próprio ambiente doméstico. Daí que faça particular sentido ser O Primeiro Homem na Lua a abrir o ciclo de verão organizado pelo CCB: trata-se de sessões de cinema ao ar livre que respondem ao mote Os Meus Pais. No fundo, olhares à volta dos laços de família.

Ainda focando o lugar da figura paterna, na sessão seguinte (dia 27) exibe-se - sempre na praça central do Centro Cultural de Belém - Capitão Fantástico, de Matt Ross, a narrativa de um pai (Viggo Mortensen num notável papel) que criou os seus seis filhos nas florestas do Pacífico Norte, conjugando uma rigorosa educação com a vivência em absoluta harmonia com a natureza. Só que um dia o regresso à civilização acontece e o embate humano não será fácil...

Dentro do registo não ficcional, para além de dois títulos inéditos no circuito português - Tudo é Projeto (3 de agosto), da dupla brasileira Joana Mendes da Rocha e Patricia Rubano, e My Father, The Genius (dia 17), de Lucia Small - destaca-se também o documentário que Nick Willing fez sobre a artista, sua mãe, Paula Rego: Histórias e Segredos (dia 31), uma conversa à volta da(s) memória(s) de uma vida e da sua expressão na arte.

O cinema de animação está representado numa única sessão (dia 24) com Bambi, o belo e trágico clássico da Disney, de 1942, sobre uma cria de veado que, depois da morte da mãe, terá de aprender a enfrentar os perigos da floresta, para isso contando com a ajuda do seu melhor amigo, o coelho Tambor. Uma ocasião ideal para juntar pais e filhos diante da grande tela.

Com uma forte vibração indie, outra das grandes propostas deste ciclo é The Florida Project (dia 10), de Sean Baker, um filme que procura o encanto escondido nos cenários mais desfavorecidos. Aqui vemos crianças em estado "selvagem" a viver com familiares em quartos de motel, precisamente nos arredores dos parques Disney (a marca registada da magia infantil, leia-se a ironia), que passam os dias ora a fazer travessuras ora no encalço do simples feitiço das tardes soalheiras. Baker filma tudo isto com cores muito vivas - desde o cabelo azul da mãe de uma dessas crianças à fachada lilás do motel - para sublinhar uma aparência que alberga a degradação. E é também neste filme que vemos uma das mais afetuosas interpretações de Willem Dafoe, como o paternal gerente do motel, e o espantoso lançamento da pequena atriz Brooklynn Prince, que deixa qualquer um de queixo caído com o seu jeito espevitado.

Já em setembro, no dia 7, o programa encerra com O País das Maravilhas, de Alice Rohrwacher, uma delicada fábula rural, situada na Toscana, em torno de uma família a viver da apicultura que vê a sua existência agitada por um programa de televisão recentemente chegado àquele lugar. A apresentadora, interpretada por Monica Bellucci, é outra das maravilhas deste conto estival.

As sessões do ciclo Os Meus Pais têm lugar sempre aos sábados, pelas 21.30.