Biblioteca Nacional revela espólio de Natércia Freire

Uma exposição evocativa do centenário do nascimento da poetisa e jornalista Natércia Freire mostra o seu espólio literário e dá destaque à página literária do Diário de Notícias, a "Artes e Letras", que dirigiu durante 20 anos.

O centenário do nascimento da poetisa Natércia Freire vai ser assinalado a partir de amanhã, dia 11, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) com uma exibição de muito do seu espólio. A exposição é comissariada por Teresa Almeida e é composta por doações da família.

Os núcleos da exposição abrangem a poesia de Natércia Freire, os seus outros escritos, como memorialismo, ensaio, conto, ficção, tradução e música, e ainda a sua atividade de jornalista, com destaque para a página literária do Diário de Notícias, a "Artes e Letras", que dirigiu durante 20 anos, entre 1954 e 1974.

"Vão ser mostradas peças como o primeiro texto que Natércia Freire publicou na imprensa, inaugurando a coluna 'Cartas de Natércia a Lena', no jornal Vida Ribatejana, em 1939; 'Eixo de Oiro', um manuscrito com textos que Natércia publicou em jornais durante a vida e que organizou para editar em livro (o que não chegou a acontecer); e gravuras de artistas plásticos que, a propósito das comemorações dos quinhentos anos da publicação de Os Lusíadas, em 1972, Natércia convidou a publicarem, na 'Artes e Letras', obras sobre o tema que seriam expostas na BNP e em países como Japão, França e Brasil", revela a Biblioteca Nacional.

A exposição conta também com um núcleo musical, contendo partituras com versos e música de Natércia, como o tango para piano "Volta, meu Amor volta" (1936), dedicado a José Isidro, com quem o namoro estava interrompido e que, por coincidência, viu o tango e uma fotografia de Natércia na montra da casa Sassetti, em Coimbra, onde estudava Medicina. Voltou e casaram-se em 1942, acrescenta.

Será ainda exposta a correspondência de diversos vultos das artes e letras de língua portuguesa, em reação à obra de Natércia, entre os quais se contam nomes como José Régio, Vitorino Nemésio, Hernâni Cidade, Fernanda de Castro, João Gaspar Simões, David Mourão Ferreira, Jorge de Sena, José Rodrigues Migueis, Ferreira de Castro, Natália Correia, o poeta cabo-verdiano Jorge Barbosa e os brasileiros Ribeiro Couto, Lygia Fagundes Teles, Cecília Meirelles, Clarice Lispector e Dinah Silveira de Queiroz.

A exposição tem entrada livre e vai estar patente até dia 31 de outubro, três dias depois de cumpridos os cem anos do nascimento da escritora, a 28 de outubro de 1919.

Na altura, realizar-se-á uma cerimónia evocativa na BNP, culminando um programa de comemorações que envolve a edição de uma coletânea de poemas de Natércia Freire, uma sessão na Academia das Ciências, mesas redondas, encontros e leituras de poemas, entre outras iniciativas ainda a definir.

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