A bicharada mais simpática de Nova Iorque está de regresso

Eis a mais recente animação dos estúdios de Gru - O Maldisposto. A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2 é a bem-vinda sequela que traz nova dose de aventura com os animais de um prédio nova-iorquino. E não só.

A ideia lançada e explorada no filme original tinha piada: o que é que fazem os animais domésticos enquanto os seus donos estão fora? Sob este mote (com um quê de Toy Story), que se abre a todo um imaginário de hipóteses, íamos de apartamento em apartamento espreitar os deliciosos recreios da fauna de um prédio em pleno cenário nova-iorquino - só para que conste, esse A Vida Secreta dos Nossos Bichos foi o filme mais visto pelos espectadores portugueses em 2016... E a boa notícia é que o segundo capítulo desta animação, de novo assinada por Chris Renaud (Gru - O Maldisposto) e pelo estreante Jonathan del Val, se revela ainda mais divertido e caloroso do que o primeiro.

Regressando ao território do pequeno terrier Max, o cão protagonista que tinha aprendido a partilhar as atenções da sua dona com o rafeiro peludo Duke, vamos desta feita encontrá-lo entusiasmado com o novo elemento na casa: um bebé. Mas há um problema. Devido à responsabilidade que sente de proteger a criança de todos os perigos que a rodeiam, Max torna-se um cãozinho medroso, com o radar do pânico constantemente ativado ao mínimo reflexo. Depois de uma ida ao veterinário metem-lhe um cone na cabeça (para evitar que se coce por causa do stress) e, em jeito de terapia, a família segue toda para umas férias no campo.

Entretanto, para os lados de Nova Iorque, no prédio do costume, o panorama continua animado: Gidget, a cadela apaixonada por Max, que lhe prometeu tomar conta do seu brinquedo predileto enquanto estivesse fora, vê-se em apuros depois de o deixar cair num apartamento apinhado de gatos sinistros; por sua vez, Snowball, o coelhinho com devaneios de super-herói, será mesmo incumbido de uma missão hercúlea - salvar um tigre-branco vítima de maus tratos no circo de um vilão russo.

Eis então as três frentes narrativas (o campo, o apartamento com gatos e a operação de salvamento do tigre) que compõem A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2. E embora o aparato possa parecer excessivo para uma só produção, a verdade é que Renaud e Del Val dão bem conta do recado, para além do mais, em apenas hora e meia... Uma das qualidades dos filmes oriundos dos estúdios Illumination é esta capacidade de condensar a diversão no tempo certo, já para não falar da combinação de um humor despachado com uma boa dose de ternura. Tudo isso está muito bem articulado nesta história que, em todas as suas linhas de ação, só quer chegar à mensagem de que temos de aprender a libertar-nos dos nossos medos.

Não por acaso, uma das novas personagens, Rooster (não se ignore o sentido da tradução, "galo"), o honroso cão de quinta a quem Harrison Ford dá voz, surge como uma referência direta à mitologia do ator de westerns John Wayne. É ele quem, de alusivo lenço vermelho ao pescoço, acaba por dar a grande lição de vida ao amedrontado Max. E mesmo que não estejamos propriamente num filme de John Ford, é na presença deste "cãoboy" que têm lugar os momentos mais serenos e emblemáticos da animação.

De novo com a ajuda da sempre sofisticada banda sonora de Alexandre Desplat, e de um exemplar elenco de vozes (na versão original legendada), entre Tiffany Haddish, Kevin Hart ou Lake Bell, para além do referido Harrison Ford, A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2 é um fartote de entretenimento bem costurado e com coração grande.

*** Bom

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