#FreeBritney: porque é que os fãs pedem a libertação de Britney Spears?

Desde 2008 que Britney Spears está sujeita a um regime de tutela e não controla muitas das decisões relacionadas com as suas finanças, carreira e até vida pessoal. Os fãs dizem que ela vive como uma prisioneira.

Depois dos apelos para que "libertem Britney", através das redes sociais e da hashtag #FreeBritney, esta quarta-feira os fãs da cantora prometem ir protestar para a porta do tribunal, em Los Angeles, nos EUA, onde Britney Spears deverá participar por videoconferência numa audiência onde serão discutidos os termos do acordo da sua interdição, que a impede de ter controlo sobre os seus negócios e outros assuntos pessoais.

Na verdade, desde que sofreu uma crise de saúde mental, há 12 anos, a carreira da princesa da pop está nas mãos dos seus "guardiões legais". Os termos do acordo da tutela nunca foram divulgados publicamente, mas sabe-se que de alguma forma restringem a liberdade da cantora de 38 anos.

O que é a tutela?

A tutela é decretada por um tribunal para pessoas que são incapazes de tomar as suas próprias decisões, como por exemplo aquelas que sofrem de demência ou outras doenças mentais.

Em 2008, após uma série de episódios que revelaram a instabilidade mental da cantora, o seu pai, Jamie Spears, pediu a tutela temporária da filha e, desde então, ela não controla muitas das decisões relacionadas com a sua situação financeira ou com a carreira.

Nos últimos doze anos, o seu pai e o seu advogado administraram não só os bens de Britney como controlaram a sua vida pessoal - podiam limitar ou proibir as visitas que tinha, as entrevistas que ela dava e podiam, inclusivamente, comunicar diretamente com os médicos e interferir no tratamento da cantora.

Porque é que Britney precisou de um tutor?

Como todas as estrelas infantis, Britney Spears terá crescido entre a vida aparentemente feliz que mostrava publicamente e as muitas limitações que a impediam de ser uma criança como as outras. Horários extensos de trabalho, poucos amigos verdadeiros, ter de se adequar a uma imagem idealizada por outros, o assédio permanente da imprensa, tudo isso terá influenciado a sua saúde mental.

No entanto, o público só começou a reparar no seu comportamento irregular em 2007, depois do divórcio de Kevin Federline, quando ela perdeu a custódia de seus dois filhos, Jayden e Sean.

Muitos dos seus alegados colapsos mentais aconteceram perante o olhar do público - ela foi manchete por rapar a cabeça, foi vista a ir às compras quase nua, foi apanhada a conduzir com o filho Sean ao colo e sem cinto e foi fotografada a bater no carro de um paparazzo com um guarda-chuva. Chegou a ser internada algumas vezes para fazer tratamentos de desintoxicação e acabou por ser internada para fazer um tratamento psiquiátrico, em 2008. Foi nessa altura que foi decretada a tutela.

O pai ajuda ou manipula?

Segundo a Business Insider, em 2018, a estrela pop tinha um património líquido de 59 milhões de dólares, tendo gasto, só nesse ano, 1,1 milhões em taxas legais e outras despesas com com a tutela (o pai receberia um "ordenado" mensal de cerca de 100 mil dólares como curador da filha)

Em março de 2019, o advogado Andrew Wallet renunciou ao cargo de co-curador da tutela, dizendo: "Dano substancial, dano irreparável e perigo imediato resultarão no interditado e nos seus bens se a libertação solicitada não for concedida".

Em setembro do ano passado, também o seu pai deixou o cargo de curador, alegando "razões pessoais de saúde". Mas isso aconteceu depois de ter internado novamente Britney Spears numa clínica psiquiátrica, alegadamente, segundo a imprensa americana, contra a vontade da cantora, o que provocou várias críticas. Além disso, ele está também a ser investigado por alegada violência contra o neto, Sean Preston, de 13 anos.

Um juiz nomeou então a gestora Jodi Montgomery como tutora temporária de Spears. Montgomery já era conselheira legal e financeira da cantora desde 2018.

No início deste mês, a mãe de Spears, Lynne Spears, também entrou com um pedido no tribunal para ser incluída na tutela. De acordo com documentos do tribunal vistos pelo The Blast, a mãe da cantora quer ajudar a gerir as suas finanças, e especificamente o fundo criado para os seus filhos. Lynne Spears nunca esteve envolvida na tutela da filha e divorciou-se de Jamie Spears em 2002, embora se tenham reconciliado em 2010. Por isso não é fácil saber quais são as suas verdadeiras intenções.

Esta quarta-feira, Britney Spears tentará mostrar ao tribunal que já tem condições para cuidar de si mesma. Se não conseguir prová-lo, a tutela será prorrogada a 22 de agosto.

O que é a campanha #FreeBritney?

O termo #FreeBritney remonta a 2009 e terá surgido num site de fãs que discordava do acordo de tutela. Mas ressurgiu no ano passado e tornou-se um movimento nas redes sociais que faz campanha para ajudar a cantora a retomar o controlo da sua vida.

Alguns dos fãs de Spears acreditam que ela foi forçada a assinar o acordo e afirmam que nas suas redes sociais a cantora pede ajuda de forma dissimulada. Este grupo alega que a artista vive presa na própria casa e que não tem liberdade, pessoal ou económica. E não é por falta de dinheiro. Afinal, só em 2019, Britney teve lucros na ordem dos 120 milhões de euros graças ao próprio trabalho na música.

Os ativistas da #FreeBritney promoveram uma petição que neste momento tem mais de 125 mil assinaturas, pedindo o fim do regime de tutela.

O que diz Britney Spears?

Nos últimos 12 anos, Britney Spears lançou quatro álbuns de originais, fez três digressões mundiais, foi jurada da segunda edição do programa X-Factor, lançou perfumes e lingerie e o seu nome, enquanto marca, terá gerado uma receita de cerca de 138 milhões de dólares (o equivalente a 121 milhões de euros) por ano. Continua, portanto, a trabalhar, e em nenhum momento manifestou o seu desagrado perante as condições em que o faz.

A cantora ainda não comentou publicamente a campanha #FreeBritney, mas recentemente disse aos fãs, através do seu Instagram, que está tudo bem com ela. Spears pediu aos fãs que não acreditem em "tudo o que lêem e ouvem". Num vídeo do Instagram em maio passado, já tinha alertado: "Para aqueles que não acham que eu publico os meus próprios vídeos... vocês está errados".

Este mês, Spears escreveu no Instagram: "Entendo como algumas pessoas podem não gostar das minhas publicações ou até mesmo não as entendam, mas isto sou eu a ser feliz... sou eu sendo autêntica e tão real quanto possível".

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