Festival de Cannes. Hollywood já não mora aqui

O cinema americano estará presente em Cannes, ainda que de forma relativamente discreta. E com um fantasma a pairar, chamado Netflix.

E os americanos?... A pergunta não é académica. Sobretudo porque Cannes (como Berlim ou Veneza, convém não esquecer) nunca menosprezou a possibilidade de, com filmes "melhores" ou "piores", integrar produções da grande indústria dos EUA. E por uma razão que, no plano da estratégia mediática, está longe de ser secundária: os nomes envolvidos em tais filmes, sobretudo nos respectivos elencos, podem ter um efeito mais direto, porventura mais mobilizador, junto dos espectadores que ignoram a actualidade dos festivais.

Haverá outra razão, sem dúvida perversa, para explicar a discreta presença da marca "Hollywood" na selecçãooficial deste ano. Essa razão tem um nome, tão factual quanto fantasmático: Netflix. De facto, o desentendimento Cannes/Netflix não está resolvido e, como é muito evidente, de Martin Scorsese a Angelina Jolie, muitos nomes emblemáticos do cinema americano têm estado envolvidos em produções Netflix.

Como relembrou Thierry Frémaux, não há acordo entre o festival e a plataforma. "Dialogamos, falamos com frequência", referiu Frémaux, reconhecendo até que haveria dois títulos (que não mencionou) que poderiam integrar a selecção oficial. Seja como for, o problema de fundo persiste: Cannes só aceita na competição filmes que tenham distribuição nas salas francesas... e a Netflix continua a recusar assumir esse compromisso.

Programado fora de competição, Stillwater, de Tom McCarthy, será a excepção que confirma a regra. Com uma grande estrela no papel central, Matt Damon, trata-se de uma produção a que está associada a DreamWorks, tendo distribuição internacional assegurada pela Focus Features (que, por sua vez, integra o grupo da Universal Pictures). Entretanto, na competição, outro nome popular do cinema americano, Sean Penn, estará presente nadupla qualidade de realizador/actor com Flag Day, produção independente que, pelo menos para já, não tem distribuição associada a um grande estúdio.

E os blockbusters, fazem falta no alinhamento de Cannes?... A pergunta está viciada, quanto mais não seja porque esse é um rótulo de que, em bora verdade, o festival nunca dependeu. O certo é que Frémaux não deixou de informar que haverá um, a ser projetado, nãono Palácio, mas apenas numa das sessões ao ar livre, no chamado "Cinéma de la Plage". Apostas? O delegado geral do festival achou por bem lembrar três títulospossíveis: o novo filme de Steven Spielberg (West Side Story), a versão de Dune assinada por Denis Villeneuve, ou o James Bond que aguarda estreia há mais de um ano... Para acrescentar apenas que não será nenhum deles.

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