Expensive Soul: vinte anos numa única noite

Os Expensive Soul celebram duas décadas com um concerto único e uma ambiciosa produção no Altice Arena, onde vão passar em revista os cinco álbuns de originais já editados, com a presença de convidados especiais e algumas surpresas pelo meio

É uma história de sucesso, mas também de muito trabalho e resiliência, que este sábado vai ser celebrada na maior sala nacional, com um espetáculo "completamente diferente daquilo que se tem feito em Portugal". Já lá vão vinte anos, desde que este duo de Leça da Palmeira colocou no mapa da música pop nacional sonoridades como o funk e a soul, à mistura com muito hip-hop, num percurso pleno de sucessos como O Amor É Mágico ou Limbo e sucessivos espetáculos esgotados por todo o país. Em entrevista, a banda adianta parte do que se vai passar esta noite em palco.

Olhando para trás, como veem estes vinte anos?

New Max - Nessa altura não pensávamos em nada disto, fazíamos música sem qualquer perspetiva de futuro, de carreira ou de negócio. E entretanto tudo passou muito rápido, quando olhamos para trás, parece que foi ontem que começámos. Acima de tudo foram vinte anos espetaculares, esse é o único balanço possível, apesar de todas as dificuldades pelas quais também passámos.

Se encontrassem os Expensive Soul de há vinte anos o que lhes diriam?

NM - Teríamos muitas dicas para dar, com toda a certeza.

Demo - Claro que sim, porque estes vinte anos foram acima de tudo uma aprendizagem. O que sabemos hoje é muito importante, porque na altura tínhamos uma inocência que já não temos, e ainda bem que já não (risos). Especialmente em termos de negócios, porque hoje os Expensive Soul já não são só uma banda, são uma empresa e além de música é necessário perceber também de gestão.

NM - E é bom não esquecer que começámos de uma forma completamente independente, o que nos obrigou a aprender com os erros que fomos cometendo. Mas isso até acabou por se tornar numa vantagem a longo prazo.

Quantas pessoas trabalham na empresa Expensive Soul?

NM - Ao todo somos 25, é esse o número de pessoas que vivem disto. É certo que alguns dos músicos têm outros projetos, mas esta é a casa não para todos eles. É uma equipa muito grande e a energia de todos eles é muito importante para este projeto. É certo que os Expensive Soul somos só nós os dois, mas por trás de nós, para que tudo funcione na perfeição, há uma grande equipa, na qual todos têm um papel importante. Sem eles estou certo que não estaríamos aqui ou então estaríamos de outra forma.

D - A grande diferença, em comparação com outras empresas de igual dimensão, é tratar-se de música, tem dinâmicas completamente diferentes, tem egos, por exemplo, o que nos obriga a gerir tudo isto também de outra forma. Noutro tipo de empresa, desde que cumpras com o trabalho, até podes passar o dia inteiro mal disposto, mas aqui não, porque na música às más energias contaminam.

Consideram-se os precursores de um estilo musical, que há 20 anos ainda era estranho à pop nacional, mas que hoje em dia é quase norma?

NM - Sim, na altura, quando batemos à porta de algumas editoras, diziam-nos que não havia espaço para uma música como a nossa em Portugal. Mas antes de nós houve outros que nos abriram as portas, os Da Weasel ou o Boss AC, tal como nós acabámos por abrir outras, para quem veio depois de nós.

A indústria também mudou muito, quando vocês começaram ainda se vendiam CDs, por exemplo.

NM - Completamente e nós apanhámos mesmo com essa transição.

D - Ainda crescemos a ver os artistas a vender tudo, discos, cassetes, t-shirts.

NM - Foi uma completa revolução que ainda hoje, de certa forma, se está a tentar compreender. No nosso caso, por exemplo, começámos por descurar um pouco as redes sociais, que nestes últimos anos passaram a ser uma prioridade para nós em termos de promoção. Basicamente temos de estar constantemente a atualizar-nos.

Pode-se dizer que são hoje uma banda da primeira divisão nacional?

NM - Claro que sim, apesar de algumas resistências que ainda existem em relação a nós, apesar de termos os concertos sempre cheios.

D - A prova fundamental disso é a música. Nós somos bons, musicalmente somos muito bons e já não temos que provar nada a ninguém. As pessoas podem não gostar, mas isso é outra questão, porque em termos de competência artística a cena está lá. E as pessoas gostam de nós, os media é que às vezes se esquecem que existimos. Apenas costumamos editar discos a cada quatro ou cinco anos e compreendo que é difícil estarmos sempre a aparecer, mas também não precisamos passar para um quase total esquecimento. Nós tocamos muito, já tivemos êxitos, O Amor é Mágico, que foi genérico de novela, tocou em todas as rádios e esteve no primeiro lugar do i-tunes durante anos. Acho que já merecemos algum respeito. Há mais de dez anos que somos a melhor banda ao vivo.

O que fazem durante esses períodos entre discos?

D - Nunca estamos parados, até porque tudo passa por nós, da imagem da banda até a limpeza da sala de ensaios. E depois ainda há o lado criativo, para o qual também é necessário algum tempo, para nos sabermos reinventar e não andarmos sempre a fazer a mesma coisa.

E esse lado digamos, mais de gestão, não atrapalha a parte criativa?

D - Tira e cansa-nos, porque não é isso que queremos estar a fazer, mas sim a criar. Mas em Portugal, infelizmente, ou fazemos assim ou somos roubados. Não é a música que nos cansa, nem os fãs, que estão sempre connosco.

Como é que vai ser este concerto, podem desvendar?

D- Estamos há dois meses a ensaiar, é uma produção enorme e muito dispendiosa, mas são os 20 anos. O que estamos a montar para este concerto é completamente diferente daquilo que se tem feito em Portugal nestes últimos anos e de tudo o que nós já fizemos até agora.

NM - Vamos tocar as músicas principais dos nossos cinco discos, claro, com arranjos completamente diferentes, mas também algumas daquelas músicas que nunca tivemos oportunidade de tocar. O concerto estará dividido em três atos e vai ser em crescendo. Começa de uma forma mais calma, no segundo ato vamos ter a presença do Saint Dominic"s Gospel Choir e depois vamos fazer a festa. Vamos ter um palco enorme, com uma passerelle para um palco mais pequeno, à frente. Acima de tudo vai ser uma viagem por estes vinte anos, que esperamos que seja uma noite muito divertida para toga a gente, especialmente para nós.

D - E convém dizer que vai ser um concerto único, que nunca mais se voltará a repetir.

Vão registar o concerto, para alguma futura edição?

NM - Vamos só gravar o áudio, porque já não havia orçamento para mais (risos), pode ser que mais tarde a gente consiga fazer alguma coisa com isto. Porque vai valer a pena.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG