Premium Djavan: "Aponto o dedo a um futuro promissor e não a ninguém"

O músico brasileiro está de regresso a Portugal para apresentar o espetáculo inspirado no último disco, Vesúvio, um trabalho em que a pop serve de veículo para passar uma mensagem política. Como explica nesta entrevista ao DN, "ser artista é uma tribuna".

Não são muitos os músicos que viram o seu nome ser transformado num verbo, como Caetano Veloso fez com Djavan, ao referir-se a um certo Djavanear para definir a variedade da obra do cantor alagoano, ora com um pé no samba, um ouvido no jazz ou a alma na soul. Tudo isto aliado a uma escrita muito própria, senão mesmo única no universo da MPB, pelo modo como diz sem dizer, picando e escarafunchando, mas sempre com um dedo "a apontar ao futuro e nunca a ninguém", como faz questão de salientar. Podia ter sido jogador de futebol, mas tornou-se um dos maiores embaixadores musicais do Brasil no mundo, já com 20 discos editados, que lhe valeram no currículo três prémios Grammy latinos.

Filho de uma mãe negra, que trabalhava como lavadeira, e de um pai branco, vendedor ambulante, Djavan começou a cantar profissionalmente aos 23 anos, depois de se mudar do seu nordeste natal para a cidade do Rio de Janeiro. Começou por atuar nalgumas das mais famosas boates da Cidade Maravilhosa e pouco tempo depois já dava voz a temas de compositores como Dorival Caymmi, Toquinho e Vinícius de Moraes, na banda sonora da novela Gabriela. O primeiro disco em nome próprio, A Voz, o Violão, a Música de Djavan, seria lançado em 1976 e foi logo um estrondoso sucesso comercial, que o elevou ao estatuto de estrela da MPB.

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