Diversidade vai ser critério essencial para o Óscar de Melhor Filme

Academia de Hollywood apresentou novos requisitos para elegibilidade de um filme para o Óscar principal, com o objetivo de aumentar a representação de mulheres, grupos étnicos e outros grupos atualmente sub-representados no grande ecrã.

A partir de 2024, para que os filmes sejam considerados elegíveis para o Óscar de Melhor Filme devem cumprir critérios rigorosos de inclusão e representatividade de minorias ou grupos sub-representados. O anúncio - considerado histórico - foi feito esta terça-feira à noite pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, e pretende contribuir para aumentar a diversidade não só dos prémios mas também para, a longo prazo, aumentar a diversidade e a igualdade de oportunidades na indústria do cinema.

Assim, em 2025, na 26ª edição dos prémios, para que os filmes sejam considerados para a categoria Melhor Filme têm cumprir os padrões de representação em pelo menos dois de quatro planos: no ecrã (elenco e argumento); entre a equipa técnica do filme; no estúdio que produz o filme; e em oportunidades de formação noutras etapas da produção e lançamento do filme.

Em cada um destes planos, há critérios específicos. Por exemplo, no que toca à interpretação, pelo menos um dos atores principais ou atores secundários teve ser de um grupo racial ou étnico sub-representado, e pelo menos 30% de todos os atores em papéis secundários deverão ser de pelo menos dois dos grupos sub-representados. Também será tido em conta se a narrativa do filme é centrados em algum dos grupos sub-representados.

Entre os grupos sub-representados, a Academia inclui mulheres, grupos raciais e étnicos, LGBTQ + e pessoas com deficiência. A Academia exige o envolvimento o envolvimento de pessoas destes grupos quer na interpretação, quer nas equipas técnicas e em todo o processo de produção e distribuição dos filmes.

"A inclusão deve-se alargar para refletir a nossa população global diversificada tanto na criação de filmes quanto nas audiências que se relacionam com eles", disseram o presidente da Academia David Rubin e o CEO Dawn Hudson num comunicado conjunto. "Acreditamos que estes padrões de inclusão serão um catalisador para mudanças essenciais e duradouras no nosso setor."

Nos últimos anos, os Óscares têm sido criticados pela sua falta de diversidade. Em 2016, o facto de não haver nenhum ator de cor ou de outra minoria nomeado para os prémios levou a um movimento de boicote à cerimónia e a uma campanha nas redes sociais com a hashtag #OscarsSoWhite ("Óscares tão brancos").

A acusação tem sido repetida por várias figuras de Hollywood, entre as quais o ator Joaquín Phoenix que, na última cerimónia, ao agradecer o Óscar pela sua interpretação em Joker, voltou a a referir a necessidade de uma mudança profunda em Hollywood:

A Academia comprometeu-se, entretanto, a aumentar os seus membros femininos e "bame" ("black, asian and minority ethnic"). Este ano, a Academia convidou 819 novos membros, dos quais 45% são mulheres e 36% não brancos, afirmando que duplicou o número de mulheres e triplicou o número de pessoas de etnias sub-representadas e comunidades raciais. Esta mudança, só por si, poderá levar a uma alteração nas votações.

No entanto, a Academia considerou que isso não seria suficiente para garantir a diversidade entre os nomeados. Com estes novos critérios, a Academia de Hollywood pretende "encorajar a representação equitativa dentro e fora do ecrã a fim de refletir melhor a diversidade do público que vai ao cinema".

O prémio de melhor filme, que é entregue aos produtores de um filme, é a única categoria em que todos os membros da Academia de cinema podem votar. Este ano, o filme sul-coreano Parasitas tornou-se o primeiro filme em idioma não inglês a ganhar o prémio. Todas as outras categorias serão mantidas de acordo com seus requisitos de elegibilidade atuais.

Estes requisitos só se aplicam a filmes feitos em 2024, que poderão ser premiados na cerimónia de 2025. Até lá, os produtores terão que preencher um formulário confidencial de "padrões de inclusão", mas isso não impedirá a elegibilidade o Óscar de Melhor Filme.

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