Projeto Rua das Pretas "reabre" Coliseu dos Recreios

O projeto Rua das Pretas, do músico brasileiro Pierre Aderne, é o primeiro a atuar na mítica sala lisboeta, que reabre finalmente ao público este dia 13, depois de mais de dois meses encerrado devido à pandemia.

Não se trata propriamente de uma estreia, mas "é como se fosse, pois marca a reabertura de uma das mais importantes salas de Lisboa, o que é uma enorme responsabilidade", reconhece Pierre Aderne ao DN. O músico brasileiro, já há alguns anos radicado em Portugal, é o criador do projeto Rua das Pretas, no qual fado, morna, bossa nova e samba se reúnem à volta de uma mesa farta de petiscos e vinho, tal como vai acontecer no sábado, 13, dia de Santo António, "o que também é muito simbólico", quando voltarem a transformar o palco do coliseu numa sala de estar, como já haviam feito no ano passado, com a o público distribuído à volta dos músicos.

"Na altura foram 360 pessoas, mas agora vão ainda ser menos, cerca de 150, dependendo o número final de quantos bilhetes de grupo sejam vendidos", explica. Tudo decorrerá, no entanto, "de acordo com as regras sanitárias em vigor". Os espectadores serão assim recebidos à porta por um assistente, que depois os encaminhará para os lugares marcados no palco do Coliseu, também situados segundo o espaçamento recomendado pela DGS.

Cada pessoa receberá à entrada, como oferta, um copo de vinho com o seu nome, para poder saborear, em segurança, os vinhos selecionados pelos "wine roommates" da Rua Das Pretas. E sendo as entradas tão limitadas, haverá também a possibilidade de adquirir um bilhete virtual, que inclui uma garrafa de vinho e uma chave de acesso para a sala privada da Rua das Pretas no ZOOM, onde o concerto será transmitido.

O projeto Rua Das Pretas "surgiu de modo bastante informal", na casa onde Pierre Aderne vivia quando se mudou para Lisboa, há pouco mais de cinco anos. Filho de pai português e mãe brasileira, o músico nasceu em Paris, mas cresceu e sempre viveu no Rio de Janeiro, onde as tertúlias musicais com os amigos faziam parte das suas rotinas. Foi portanto por sentir saudades que começou a reunir amigos na sua nova casa em Lisboa, situada na Rua das Pretas, por onde passaram nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Carminho ou Camané, além de muito outros, famosos e incógnitos, em animados encontros das mais diversas geografias musicais, que morna, funaná, samba, bossa nova ou fado se cruzavam de forma natural à volta de uma mesa. Um dia, alguém sugeriu que aquelas reuniões deviam ser abertas ao público e foi isso mesmo que aconteceu, primeiro na tal casa da Rua das Pretas e depois no famoso palacete do Príncipe Real, onde nos últimos três anos se apresentam semanalmente, sempre com casa cheia e entretanto tornado numa referência da nova movida cultural lisboeta.

Nm com a pandemia as atuações pararam, mas agora com o palacete vazio e transmitidas via internet. "Fomos dos primeiros a fazê-lo em Portugal e entretanto acabámos por nos tornar numa verdadeira sala de espetáculos virtual, que recebeu outros artistas, como a Nancy Vieira ou o Pedro Luís", recorda. As entradas para estes shows virtuais, "ou melhor, os códigos para assistir", eram oferecidos a quem comprava vinhos das marcas parceiras da Rua das Pretas.

Com o passar do tempo, o grupo informal de músicos tornou-se entretanto numa "espécie de coletivo", que juntamente com o público - "há quem nunca tenha faltado a uma sessão" - e os parceiros vínicos (marcas como Niepoort, Soalheiro ou Adega Mayor) formam "a família alargada" em que a Rua das Pretas se transformou". Pelo caminho, até já editaram dois discos: The Wine Album, em 2018, e Um Copo de Fado, Dois de Bossa, que será editado depois espetáculo no Coliseu. "Apesar dos muitos convidados, com o passar do tempo conseguimos criar uma sonoridade mais constante e reconhecível e os álbuns são consequência disso. Somos assim uma mistura de Brasil, Cabo Verde e Portugal, mas sempre com muita Lisboa pelo meio", reconhece.

No espetáculo de reabertura do Coliseu Pierre Aderne (voz, violão e percussão) estará acompanhado por Nani Medeiros (voz), Joana Amendoeira (voz), Walter Areia (contrabaixo), João (violão de 7 cordas) e Nilson Dourado (violão, percussão e clarinete), a quem se juntarão ainda os convidados especiais Maria João e Tito Paris.

Rua das Pretas - Um Copo de Fado, Dois Copos de Bossa

Coliseu dos Recreios, Lisboa. 13 de junho, sábado, 21.30. €45

Calendário de próximos espetáculos

Tash Sultana, 31 de agosto

Desconcerto (António Zambujo, César Mourão, Luísa Sobral, Miguel Araújo) 1 a 5 de setembro

Metronomy 7 de setembro

Mayra Andrade 12 de setembro

Roger Hodgson 18 e 19 de setembro

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