Alice Vieira: "Gosto que as duas ordens me tenham sido dadas por presidentes de quem gosto"

Marcelo Rebelo de Sousa condecorou esta terça-feira Alice Vieira, Jorge Palma e António Variações. Uma cerimónia rápida mas que, segundo a jornalista e escritora, mostrou que conhecia bem o seu percurso.

É a segunda vez que Alice Vieira é condecorada por um presidente da república, a primeira foi há 23 anos por Jorge Sampaio. "Gosto muito que as duas ordens me tenham sido dadas por presidentes de quem gosto", disse a jornalista e escritora no final da cerimónia, que durou 30 minutos devido à agenda de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Se fossem outros presidentes a condecorarem-me não gostaria tanto", acrescentou a escritora. Marcelo Rebelo de Sousa condecorou-a esta terça-feira, no mesmo dia em que homenageou Jorge Palma e António Variações a título póstumo. Alice Vieira recebeu a Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública, pelo reconhecimento dos serviços prestados no âmbito da educação.

No Dia Internacional da Mulher de 1997, tinha recebido das mãos de Jorge Sampaio o grau de Comendadora.

Trabalhou no Diário de Lisboa, no Diário Popular e no Diário de Notícias, de onde saiu para se dedicar inteiramente à escrita. É autora de romances e poesia, com destaque para a literatura infantil e juvenil. "Rosa, minha irmã Rosa", "Úrsula, a maior", "Viagem à roda do meu nome" e "Meia hora para mudar a minha vida" são alguns dos livros publicados.

Muitos dos seus livros fazem parte do Plano Nacional de Leitura e é, nesse âmbito, que se tem deslocado às escolas de todo o país, uma parte da sua atividade que diz gostar particularmente.

Apesar da rapidez da cerimónia, Marcelo Rebelo Sousa conseguiu, segundo a escritora, resumir todo o seu percurso profissional, a começar pelo suplemento juvenil do Diário de Lisboa, onde se iniciou e assinando com o nome de batismo Alice Pereira Vassalo. Suplemento que mais tarde dirigiu.

O PR também destacou a sua atividade e contributo para acultura no Diário de Notícias, onde esteve entre 1974 e 1990. Terminou com o elogio ao projeto Retratos Contados, uma iniciativa que a escritora desenvolve há cinco anos em colaboração Nélson Mateus, para dar voz aos que têm uma idade mais avançada.

A escritora assinala o momento particularmente difícil em que vivemos devido à pandemia e que a leva a receber ainda com mais entusiasmos este tipo de distinções.

Outro facto que sublinha é ter sido condecorada no mesmo dia que Jorge Palma: "Sou muito amiga do Jorge Palma, ter sido condecorada com ele também me animou. Pertencemos à Sociedade Portuguesa de Autores, trabalhámos juntos, é bom sermos condecorados com pessoas de quem gostamos".

Alice Vieira, 77 anos, está a acabar a biografia do Padre António Vieira, com um outro projeto na mira: escrever a biografia de Irene Lisboa.

Tem mantido uma relação emocional com o DN, para que está "sempre disponível". São exemplos, os textos que escreveu este já ano: o de homenagem a Mário Castrim, o seu companheiro de 34 anos, e no Dia da Mãe.

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