Afonso Reis Cabral é o novo Prémio José Saramago

O vencedor da edição do Prémio José Saramago é Afonso Reis Cabral com o romance Pão de Acúcar. Depois do Prémio Leya em 2018, o autor recebe um dos mais importantes prémios literários portugueses.

O autor de O Meu Irmão e de Pão de Açúcar é o mais recente vencedor do Prémio José Saramago. O primeiro romance foi o vencedor do Prémio Leya. Há poucos dias, o autor lançou Leva-me Contigo, uma viagem em Portugal de norte a sul.

Reis Cabral tem 29 anos e recebe um prémio no valor de 25 mil euros pelo romance Pão de Açúcar.

O prémio é concedido pela Fundação Círculo de Leitores e foi instituído em 1999, quando distinguiu Paulo José Miranda.

Pão de Açúcar é um dos grandes romances de 2014, retratando o caso Gisberta, transexual assassinada no porto por um grupo de jovens.

Segundo declarações à Lusa de Ana Paula Tavares, o romance de Afonso Reis Cabral é "lido com o espesso e confuso mundo da memória [e narrado na primeira pessoa] retira do esquecimento acontecimentos que os jornais e os relatórios da Polícia tinham tratado de forma redutora e parcial, com silêncios e omissões que o autor se propõe aqui revelar". Acrescenta: "Apresenta um trabalho de linguagem (com a linguagem) que alerta o leitor para o que muda e permanece na escrita do romance e na narrativa dos universos recuperados. O autor - realça - mergulha na opacidade dos diferentes mundos da cidade velados pelo silêncio e pelo estranhamento, e trabalha novos conceitos de vida, da morte e do amor, tal como as leis da violência os alargam e tornam percetíveis".

Para Mega Ferreira, Afonso Reis Cabral "constrói uma narrativa tensa, sob cuja linha narrativa crepita a violência dos excluídos e a raiva dos deserdados. Revelando maturidade narrativa e estilística notáveis, fazendo da contenção a arma da progressão do relato, Reis Cabral adota o ponto de vista dos miúdos administrando a construção de um sentimento grupal de medo e ódio (as fronteiras entre um e outro são ténues) que descarrega no seu elo mais fraco a raiva de uma frustração longamente contida". Refere que Pão de Açúcar é "uma espécie de romance de (de)formação, um texto que relata a formação de um grupo que se reúne num assassinato, na passagem da infância para a adolescência. A ambivalência de sentimentos de todos e cada um em relação a Gisberta mostra que não há trajetos lineares para o crime, nem fatalidades sociológicas, num caso que é mais complexo ficcionalmente do que o relato jornalístico habitualmente revela".

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