Afinal, de que se lembra J.K. Rowling sobre Portugal?

O fim do mito sobre a Livraria Lello ter inspirado a saga Harry Potter é uma desilusão para os fãs de Harry Potter, mas para os animar, a escritora inglesa já veio garantir que escreveu mesmo no café Majestic.

Com um simples tweet a escritora J.K. Rowling desfez os sonhos dos fãs que encontravam na saga Harry Potter muitas referências ao país onde a escritora inglesa viveu durante algum tempo e de cujo governante, Salazar, até usara o nome nos sete livros. Para um dos maus da fita, claro.

Foi o que aconteceu hoje e que tornou definitivamente falsas muitas dessas ideias amplamente divulgadas sobre a relação entre J.K. Rowling e Portugal e que estão repetidas à exaustão em centenas de artigos, ao revelar que nunca entrou nem conhecia a Livraria Lello.

Nem mesmo uma carta que J.K. Rowling publicou no jornal The Guardian em outubro de 2019 preparara os leitores para esta deceção, até porque o que a autora lá escreveu em nada faria desconfiar de que por trás de uma boa memória pouca inspiração existira no que respeita a certos locais do Porto.

O que mais dececiona os leitores é que a escritora nunca tenha visitado a Livraria Lello no Porto. Diz isso em poucas palavras: "Nunca visitei esta livraria no Porto. Não sabia que existia! É linda e gostava que a tivesse visitado, mas não tem nada a ver com Hogwarts!"

A partir de agora, todos os mitos podem cair. Afinal, até que ponto a informação que existe na biografia de Sean Smith que diz que o título do primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, teria sido inspirado pelo poema "Pedra Filosofal", de António Gedeão, que o marido português ouvia na voz de Manuel Freire.

Já o Café Majestic terá mesmo servido de cenário à autora enquanto escrevia algumas das cenas dos vários volumes da saga. Quem o confirma é a própria J.K. Rowling que num outro tweet escreve: "Se isso animar as pessoas que ficaram desiludidas com a livraria no Porto, escrevi aqui algumas vezes. Foi o mais belo café em que eu alguma vez escrevi. O Majestic Café na Rua de Santa Catarina".

Mas as dúvidas podem colocar-se em relação aos jardins do Palácio de Cristal que visitava e, mais uma vez, a inspiravam, segundo essa biografia.

Isto sem esquecer que os uniformes dos alunos de Hogwarts eram decorrentes dos que observava nos dos estudantes portugueses, de capa e batina.

Mas é a Livraria Lello o maior desapontamento, afinal muito se escreveu sobre as frequentes visitas de J.K. Rowling a este estabelecimento com uma arquitetura tão mágica como a de muitas páginas do seu herói. E, diga-se, tudo encaixava na perfeição para que as escadas da livraria a tivessem inspirado!

Não, a autora confessa que nunca lá foi. Ou seja, o esforço financeiro de 70 mil euros feito pela livraria para comprar uma primeira edição de Harry Potter and the Philosopher's Stone foi em vão.

Do que se lembra J.K. Rowling?

Então, do que se lembra J.K. Rowling de Portugal? Nessa carta publicada no jornal The Guardian há ano e meio, a escritora é muito clara. Nada de Livraria Lello, mas não se esqueceu dos tempos que viveu no Porto. Tinha 25 anos e obtivera o lugar de professora de inglês num estabelecimento na cidade.

Sobre o Porto, confessa: "Apaixonei-me pelo Porto e ainda o amo. As espetaculares pontes da cidade, as suas vertiginosas margens do rio, os íngremes edifícios antigos, as tradicionais casas do vinho do Porto, as largas praças: fiquei extasiada com tudo isto."

Sobre Portugal: "Era um país que eu não conhecia e em cuja língua em não conseguia dizer uma única palavra."

Sobre a música portuguesa: "Fiquei encantada com o fado, a música tradicional melancólica que reflete os próprios portugueses que, de acordo com a minha experiência, têm uma calma e uma gentileza únicas entre os povos latinos que encontrei até agora."

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