Exclusivo A ovelha ronhosa que escreveu Gambito de Dama

Autor de seis romances que foram quase todos adaptados ao cinema e de uma das mais sedutoras séries de TV, Walter Tevis considerava-se um escritor de segunda linha. Há quem não concorde, mas que os seus vícios, tabaco e álcool, e a sensação de ser sempre um anti-herói o ajudaram a desaparecer antes do tempo é uma certeza

Existe uma velha anedota que conta o diálogo entre duas ovelhas que estão a pastar perto dos laboratórios de cinema da Tóbis e comem restos de película do filme Ben-Hur que alguém deitou para na erva de um baldio; uma delas diz para a outra: "Gostei mais do livro!" Essa é uma situação frequente para quem vai ao cinema, ou agora a ver séries em casa, e fica desiludido com as adaptações feitas sobre livros que foram um grande sucesso e não correspondem ao original quando vistas no ecrã! Será o caso do romance Gambito de Dama, de Walter Tevis, que vai chegar às livrarias na próxima semana após a série ter alcançado um interesse em Portugal - e no resto do mundo - como há muito não se observava?

O sucesso da série Gambito de Dama foi excecional, transplantado de uma forma que ninguém questiona apesar das intermináveis partidas de xadrez em todos os episódios, jogo pouco em moda até ter a série estreado. A interpretação magistral de Anya Taylor-Joy contribui em muito para que o leitor se reveja no romance de Walter Tevis, tal como a forma como o livro foi adaptado. Ou seja, qualquer tentativa de questionar a adaptação logo que o livro seja lançado não terá sucesso. Há muito que um romance não é tão respeitado e os catorze capítulos são quase decalcados ao longo dos episódios que a série teve como se a visão do escritor fosse tão cinematográfica como literária.

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