Rock in Rio. A-ha como sempre e como dantes

A banda norueguesa estreia-se finalmente no Rock in Rio Lisboa, numa noite marcada pelas sonoridades dos anos 80, que contará também com as atuações de Duran Duran, UB 40 ou Delfins.

O trio composto pelo vocalista Morten Harket, o guitarrista Paul Waaktaar-Savoy e o teclista Magne Furuholmen é um daqueles casos em que a popularidade é inversamente proporcional à relevância musical do grupo fundado em Oslo no cada vez mais distante ano de 1982. Se porventura fossem apagados da história da pop, a mesma pouco ou nada se alteraria, mas tal pouco interessa aos fãs, para quem tudo isso é demasiado subjetivo. Até porque, como sempre acontece nestes casos, o que realmente conta são as canções e essas, 40 anos depois, continuam a ser reconhecidas e cantadas por todos, como mais uma vez aconteceu a 11 de junho no Over Oslo Festival, no regresso da banda aos concertos, após um hiato de três semanas, devido a tanto Morten como Paul terem estado infetados com covid-19. E o ensaio geral para o palco maior que será esta estreia no Rock in Rio Lisboa, onde chegam este sábado, não podia ter corrido melhor, com mais de seis mil pessoas, mais uma vez, a cantarem em uníssono todos os êxitos da banda, como os vários vídeos entretanto postados nas redes sociais comprovam.

Se há algo que os A-há sabem é fazer valer aquele punhado de temas de início dos anos 80, através dos quais ascenderam ao estrelato a nível planetário. E isso obrigou-os a transformarem-se numa verdadeira máquina pop, com um espetáculo construído à volta desses êxitos, mas sem parecerem uma mera banda de versões deles próprios - o que, convenhamos, não é coisa pouca. Mas viajemos um pouco no tempo, até 1981, quando os amigos de infância Paul e Magne formaram Black Sapphire, a quem se juntaria, pouco tempo depois, o vocalista Morten. Reza a lenda que a primeira canção que ouviu ser tocada pelos futuros companheiros terá sido mesmo Take on Me, o maior êxito da banda, que então ainda se chamava Lesson One. Cientes da dificuldade de um trio norueguês singrar a nível internacional, arriscaram tudo e partiram para Londres, em busca de um sonho pop que antes de se realizar teve alguns momentos de pesadelo, pois foram recusados por diversas editoras. A sorte dos A-ha (nome inspirado no título de uma canção composta por Paul, que nunca chegaria a ser gravada) começou a mudar quando se associaram ao músico e produtor britânico John Ratcliff, que convenceu a todo-poderosa Warner Bros. Records a contratá-los e na qual permaneceram até 1994. O primeiro single a ser lançado foi, claro está, Take on Me, mas, por incrível que pareça, só à terceira tentativa o tema pegou, com a banda a ter de o regravar por duas vezes, sempre com diferentes produtores. Mas à terceira foi mesmo de vez, com a canção a atingir rapidamente o número um da tabela de vendas americana e o número dois na inglesa, à boleia de um original videoclip de animação, feito através de uma técnica conhecida como rotoscopia, que lhes valeu seis prémios na terceira edição dos então recém-instituídos MTV Video Music Awards, conseguindo assim o dobro dos de Michael Jackson, com Thriller.

A partir daí, como seria de esperar, o mundo ficou nas mãos do trio norueguês. O álbum de estreia Hunting High and Low, que incluía os êxitos Take on Me e The Sun Always Shines on T.V. foi um sucesso global, abrindo caminho para uma sólida carreira internacional, alicerçada em discos como Scoundrel Days (1986), a participação na banda-sonora do filme 007 - Marcado para morte, com o tema The Living Daylights (1987), e especialmente Stay on These Roads (1988), trabalho que marcou uma nova direção para a música dos A-ha. Mas a mudança não seria assim tão benéfica, com o álbum seguinte East of the Sun West of the Moon (1990) a ficar bastante aquém das vendas dos anteriores. A popularidade, porém, continuava em alta, como se comprovou na segunda edição do Rock in Rio Brasil, em 1991, quando foram a única banda a esgotar o Estádio do Maracanã com 198 mil pessoas pagantes, um recorde que, segundo o Guinness, se mantém até hoje. Mas os tempos eram já outros e Memorial Beach, lançado em 1993, foi praticamente ignorado pelo público e pela crítica, levando os A-ha a entrarem num "hiato" logo no ano seguinte, apenas interrompido em 1998, para participarem no concerto do Nobel da Paz. Seria o início de uma segunda vida para o trio, da qual resultariam mais cinco álbuns, Minor Earth Major Sky (2000), Lifelines (2002), Analogue (2005) e o derradeiro Foot Of The Mountain, editado em 2009, quando anunciaram, desta vez sim, o fim da banda, que nos anos seguintes acabaria por ser redescoberta por uma nova geração de ouvintes.

Mas como na pop pouco ou nada é definitivo, em 2015, quando se cumpriam os 30 anos do lançamento de Take On Me, começaram a surgir rumores de uma eventual reunião dos A-ha, confirmada com o anúncio de que a banda seria um dos cabeças-de-cartaz do Rock in Rio Brasil desse ano. Além do regresso aos palcos, voltaram também aos discos, com Cast in Steel, editado também em 2015. E desde então não mais pararam de dar concertos, como este que os traz de regresso ao Rock in Rio, agora não ao do Rio de Janeiro, mas ao de Lisboa, onde certamente também serão recebidos por uma multidão de fãs em delírio. Porque 100 milhões de discos não se vendem por acaso, mesmo que os seus êxitos se contem apenas pelos dedos de uma mão. Mas não será essa, afinal, a grande magia da pop?

CARTAZ

25 DE JUNHO

Duran Duran - 23h00
A-ha - 21h00
UB40 featuring Ali Campbell - 19h00
Bush - 17h00

26 DE JUNHO

Post Malone - 23h00
Anitta - 21h00
Jason Derulo - 19h00
HMB - 17h00

*os horários são estimativos, podem sofrer alterações.

dnot@dn.pt

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