A dança segura dos atores

Se há favas contadas nesta edição dos Óscares, só pode ser nas categorias dos atores. Dificilmente haverá surpresas.

Num ano de alguma incógnita sobre o filme que deverá vencer a estatueta principal dos Óscares - em contraste com a certeza de Nomadland na última cerimónia -, pode dizer-se que os nomes nas categorias dos atores já estão escritos nas estrelas. Com uma coincidência bonita: nesta 94ª edição temos dois casais nomeados entre esses atores. De um lado, Penélope Cruz (Mães Paralelas) e Javier Bardem (Being the Ricardos), ambos em papéis principais, do outro, Kirsten Dunst e Jesse Plemons, que interpretam também um casal "secundário" em O Poder do Cão. Enfim, apenas um dado curioso para se aferir a alegria doméstica e celebrar na passadeira vermelha, mas que não adianta muito em matéria de prováveis vencedores.

Começando pela categoria de melhor ator, tudo indica que será Will Smith a completar a maratona da temporada de prémios, depois de limpar Globo de Ouro, BAFTA e Screen Actors Guild. O papel de pai das irmãs Venus e Serena Williams em King Richard: Para Além do Jogo devolveu-o ao patamar das sólidas nuances dramáticas que por vezes ficam esquecidas na variedade de registos do seu percurso, o qual já contava com duas nomeações, em Ali (2001) e Em Busca da Felicidade (2006). É daqueles casos em que à terceira é de vez; mesmo que isso signifique deixar para trás Benedict Cumberbatch (O Poder do Cão), o outro justíssimo favorito, com apenas uma nomeação antes desta.

Nas atrizes sucede uma situação semelhante, embora esta seja uma categoria mais renhida. Qualquer uma das nomeadas (Penélope Cruz, Olivia Colman, Jessica Chastain, Kristen Stewart, Nicole Kidman) teria bons argumentos para arrebatar a estatueta, ainda mais dando-se o caso de nenhum dos filmes que representam estar nomeado para melhor filme. Destaca-se, no entanto, Jessica Chastain, que tal como Will Smith já acumula três nomeações ao longo dos anos. Para além disso, a sua interpretação em Os Olhos de Tammy Faye, na pele de plástico dessa exuberante evangelista que foi um fenómeno televisivo, é o típico veículo para os Óscares - sem que isso menorize o que a vemos fazer no ecrã, por trás do processo de transformação facial...

Nas categorias secundárias também parece que as jogadas estão mais ou menos feitas. Se até há bem pouco tempo o jovem Kodi Smit-McPhee, de O Poder do Cão, surgia como o vencedor mais plausível, de repente, Troy Kotsur, o ator surdo de CODA - No Ritmo do Coração, está na frente da corrida, à boleia deste filme notabilizado na reta final. É esperar para ver como se resolve a "situação" entre aquele que seria o segundo vencedor mais jovem nesta categoria, depois de Timothy Hutton (Gente Vulgar), e o segundo ator surdo a ganhar um Óscar, depois de Marlee Matlin, a atriz que o venceu por Filhos de um Deus Menor e que também entra em CODA.

Por fim, aquela que pode ser tida como uma probabilidade matemática altamente fiável: a vitória de Ariana DeBose como atriz secundária em West Side Story. Tal como Rita Moreno alcançou o Óscar pela mesma personagem, Anita, na versão de 1961, todas as estatísticas apontam para este triunfo incontestável do filme de Spielberg. Na mesma categoria, não podemos deixar de apresentar a nossa homenagem a Judi Dench, doce matriarca de Belfast.

As minhas escolhas

FILME

Drive My Car

REALIZAÇÃO

Ryûsuke Hamaguchi (Drive my Car)

ATOR

Benedict Cumberbatch (O Poder do Cão)

ATRIZ

Penélope Cruz (Mães Paralelas)

ATOR SECUNDÁRIO

Jesse Plemons (O Poder do Cão)

ATRIZ SECUNDÁRIA

Ariana DeBose (West Side Story)

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