Exclusivo 7 dias, 7 propostas por Tiago Salazar

1. Ler, Escrever
Livros em casa
Domingo, 7 de fevereiro

Estar confinado tem saudáveis benefícios para os leitores omnívoros, o meu caso. Antes do Governo ditar o fecho das livrarias e impedir a compra in loco de livros (uma das muitas interdições absurdas desta pandemia), já tinha feito o avio de exemplares suficientes para um semestre de hibernação. Sou frequentador assíduo de livrarias como a Letra Livre (na Calçada do Combro) ou o alfarrabista Carlos Bobone (na Rua da Misericórdia). Consumo literatura variada e nem sempre as chamadas novidades, pelo que a forma de contornar esta estuporada medida (além de me valer de uma razoável biblioteca pessoal) é encomendar directamente aos mencionados livreiros, ou outros como o Bernardo Trindade, que tratam das remessas postais ou deixam os livros no tapete da entrada, se for o caso.

Há séculos, quando desaguei num curso da maestrina Luísa Costa Gomes, era perguntado aos formandos "que tipo de escritor quer ser?". Andava entranhado de Miller e Celine e respondi com apartes de escritor modernista "do real plausível". Estes, a par de Conrad, pareciam-me os mais autênticos e capazes de traduzir o coração das trevas e a esperança da alegria na triste condição dos bípedes. Era como se os livros queimassem e dessem consolo às pupilas gustativas. Gosto de dizer que sou escritor, apenas porque escrevo sobre o que tiver que ser, quando talvez me ajeitasse melhor, e fosse ainda mais feliz, a dar toques numa chincha ou a podar sebes como o Eduardo mãos de tesoura. Escrever ainda é para mim uma festa (da língua e dos sentidos) por isso insisto neste prazer desmedido.

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