Astrónomos observam espesso anel de poeira que esconde buraco negro supermaciço

Observada nuvem de poeira cósmica no centro da galáxia Messier 77, a 47 milhões de anos-luz da Terra.

Astrónomos observaram na galáxia Messier 77, a 47 milhões de anos-luz da Terra, um espesso anel de poeira e gás que esconde um buraco negro supermaciço, divulgou esta quarta-feira o Observatório Europeu do Sul (OES).

A descoberta, descrita na revista científica Nature, constitui mais uma prova da existência de um dos objetos do Universo "mais brilhantes e enigmáticos", observados pela primeira vez na década de 50, os núcleos galácticos ativos, "fontes extremamente energéticas alimentadas por buracos negros supermaciços que se encontram no centro de algumas galáxias".

"Estes buracos negros alimentam-se de grandes volumes de poeira e gás cósmicos. Antes de ser consumido, este material espirala em direção ao buraco negro e grandes quantidades de energia são libertadas no processo, muitas vezes ofuscando todas as estrelas da galáxia", explica em comunicado o OES, que opera o instrumento com que foram feitas as observações, o interferómetro VLTI, no Chile.

Uma vez que um buraco negro é um corpo denso e escuro, com forças gravitacionais extremas de onde nada escapa, nem mesmo a luz, a equipa de astrónomos chegou ao da galáxia Messier 77 construindo "uma imagem detalhada da poeira" ao combinar "as mudanças na sua temperatura causadas pela intensa radiação do buraco negro" com os "mapas de absorção" de poeira e gás.

Todos os núcleos galácticos ativos têm a mesma estrutura básica: um buraco negro supermaciço cercado por um espesso anel de poeira.

Contudo, a sua tipologia depende de quanto o anel obscurece o buraco negro para o observador, escondendo-o completamente em alguns casos. O núcleo galáctico ativo da Messier 77, por exemplo, brilha menos na luz visível do que outros.

Segundo a equipa de astrónomos que conduziu o estudo, os resultados obtidos podem ajudar a compreender melhor o funcionamento dos núcleos galácticos ativos e a história da Via Láctea, que alberga um buraco negro supermaciço no seu centro "que pode ter estado ativo no passado".

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