Muro das Namoradeiras. A reconstrução mais esperada pelos lisboetas (vídeo)

São várias as mudanças anunciadas para a zona ribeirinha que vai do Terreiro do Paço à Doca da Marinha, mas a mais ansiada é a reconstrução do muro que é uma ode ao amor. "Era um sonho antigo", diz Medina. Inauguração é no segundo semestre de 2020.

A reabilitação da frente ribeirinha central do Tejo, do Terreiro do Paço à Doca da Marinha, integra vários projetos, como a criação do Bacalhau Story Centre e um cais de apoio à atividade náutica ou ainda a construção de novos pontões e a reabilitação da Estação Sul e Sueste. Mas é o Muro das Namoradeiras, que será reconstruído, que mais chama as atenções. "Todos me perguntavam quando é que voltava o muro das namoradeiras. Pois agora já posso responder que será no próximo ano", revelou o autarca da capital, Fernando Medina, nesta manhã, durante a apresentação daquele que é chamado o "novo cais de Lisboa".

O muro - conhecido pelos bancos quadrados virados de frente um para o outro (as namoradeiras), em duplas, junto aos Cais das Colunas e com o Tejo como paisagem, já está a ser reconstruído, para contentamento de muitos lisboetas. "A ideia é repor o muro original e o seu complemento até à Ribeira das Naus", explicou Vítor Costa, diretor-geral da Associação de Turismo de Lisboa, entidade que financia os vários projetos de requalificação da zona. No total, o investimento é de 27 milhões de euros, com uma parte da verba a ser retirada das taxas turísticas.

"São 15 projetos num projeto só, e foi um processo complexo, mas estará terminado no segundo semestre de 2020", anunciou Vítor Costa. Afinal, o que é que vai mudar na zona?

Além da reconstrução do muro das namoradeiras, os postes de iluminação na área estão a ser alvo de reabilitação e vão ser repostos. O objetivo é "preservar a silhueta original" de um património simbólico da cidade.

O aterro entre o Cais das Colunas e a Praça da Estação - realizado há mais de duas décadas devido às obras do metro de Lisboa - será finalmente retirado. A praça vai recuperar o traçado original - como os mais antigos se lembram.

A criação de um Bacalhau Story Centre foi também anunciada. Ainda não se sabe se irá manter o nome em inglês ou se este será, afinal, em português. O que já está fechado é o teor do centro que estará localizado na ala nascente do Terreiro do Paço. O projeto quer recuperar a memória da pesca do bacalhau e das suas gentes.

Oito novas bilheteiras da Estação Sul e Sueste

Reabilitação da Estação Sul e Sueste. Cottinelli Telmo desenhou-a em 1929 e agora a estação recupera o seu traço original. Este ponto será "o coração da atividade marítimo-turística do Tejo", foi anunciado. Haverá uma nova área com cafetaria, quiosque, restaurante e esplanadas, além de um posto de informação e de um terminal de apoio aos passeios do Tejo. A estação vai ainda receber oito novas bilheteiras de diferentes operadores.

O projeto contempla ainda uma intervenção nos espaços públicos onde também vão surgir novos percursos pedonais e cicláveis - que no futuro irão juntar-se ao projeto mais abrangente que liga, por ciclovia, a zona ribeirinha de Lisboa a Vila Franca de Xira e ao Guincho.

Centro Tejo. Também hoje anunciado foi um espaço de promoção da oferta cultural e turística dos municípios ribeirinhos com iniciativas de consciencialização ambiental. Estará localizado no interior da estação

Mais pontões e passadiços

Serão instalados novos pontões com passadiços - e serão reforçados os dois pontões da Transtejo/Soflusa. As novas estruturas foram desenhadas "para acolher as embarcações dos diversos operadores turísticos". O pontão da Doca da Marinha também será reabilitado para servir "novas propostas de transporte fluvial".

A Doca da Marinha - que Fernando Medina fez questão de frisar que foi uma devolução generosa à cidade por parte da Marinha Portuguesa -, que deixou de ser de uso exclusivo militar e já na altura o autarca dizia que "era a peça que faltava" para a ligação com a parte já recuperada, irá dar lugar a um "grande espaço arborizado" onde os peões terão primazia sobre a circulação automóvel. Nesta zona vão também nascer um novo restaurante e quatros quiosques, além de esplanadas e WC públicos. O espelho de água da doca irá servir para receber embarcações tradicionais do Tejo.

Medina disse-o várias vezes nesta manhã: a requalificação da zona central ribeirinha - principalmente a recuperação de espaços públicos junto ao rio e que vão permitir ligar percursos pedonais e cicláveis - é um dos projetos de que mais se orgulha enquanto chefe do executivo alfacinha. "Era um sonho antigo: devolver o rio à cidade de Lisboa, que passou décadas de costas voltadas para o Tejo", frisou.

Navio Creoula ganha novo cais

Não está inserido no mesmo projeto de financiamento, mas também faz parte do novo cais de Lisboa. O antigo bacalhoeiro vai ser recuperado e modernizado e estará atracado na Doca da Marinha. A história da ligação dos portugueses à pesca do bacalhau será lembrada através de atividades destinadas "aos lisboetas e a visitantes".

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