Tribunal de Contas justifica chumbo ao Matadouro do Porto com "ilegalidades"

O Tribunal de Contas (TdC) recusou críticas de Rui Moreira, explicando ter chumbado o contrato que a câmara quer celebrar com a Mota Engil devido a "ilegalidades".

Numa nota de imprensa enviada à Lusa, o tribunal esclarece que o acórdão que recusou o visto ao contrato de empreitada para a reconversão e exploração do Matadouro "limitou-se a apreciar, no exercício das competências do TdC, a legalidade do procedimento e a violação de normas e princípios legais que impunham a recusa de visto", sem "quaisquer juízos sobre conveniência ou oportunidade da decisão de contratação ou do modelo organizativo adotado".

O TdC esclarece que a decisão "foi determinada, em primeira linha, pela qualificação do contrato como concessão de obra pública, ao invés do pretendido pela requerente [empresa municipal] GO Porto, e consequente submissão às regras de direito nacional e europeu sobre concessões de obras", tendo entendido que "o modelo adotado pela GO Porto "deve ser enquadrado como parceria público-privada (PPP) e respeitar as regras estabelecidas no respetivo regime jurídico".

Recorde-se que o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou esta segunda-feira o Tribunal de Contas de "matar o projeto" do Matadouro com a recusa do visto prévio à empreitada, numa "intromissão inadmissível" que "extravasa competências", sem acolher "a separação de poderes".

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