Acumulação de lixo. MARL assume responsabilidade e espera ver situação resolvida até quinta-feira

Restos de fruta e legumes deteriorados acumulam-se no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa. Problemas na recolha de lixo estão na base do problema. A administração assume responsabilidade, mas delega competência de recolha de resíduos à empresa que presta o serviço.

"O que os clientes dizem é que é uma vergonha", diz Carla Borges sobre a situação que tem visto ultimamente no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL). É lá que trabalha todos os dias com um produtor de hortícolas e ao DN diz que a situação tem piorado. Na terça-feira, resolveu denunciar o problema nas redes sociais ao publicar imagens do que vê diariamente. Restos de fruta e legumes deteriorados ao sol, caixas e paletes abandonados durante dias sem que ninguém os recolha.

A administração do MARL reconhece a situação "anormal" de lixo acumulado nos cais dos pavilhões e nas vias do mercado. Assume a responsabilidade, mas delega a competência da recolha dos resíduos à empresa que foi contratada para prestar o serviço, a SUMA, "a quem pagamos cerca de 52 mil euros, mais IVA, por mês", diz Gonçalo Almeida Velho, um dos administradores do mercado.

"Há aqui um incumprimento por parte da SUMA no serviço que devia prestar e que não presta como deve ser", justifica o administradores do MARL, empresa de capitais públicos. Conta que foi alertado para a situação no início da semana e marcou uma reunião de urgência para esta quinta-feira com os responsáveis da empresa "porque não pode continuar a ser assim. É impossível". São situações que "roçam o inadmissível", assume.

Situação deverá ficar resolvida esta quinta-feira

Gonçalo Almeida Velho conta que já falou com um dos administradores para chamar a atenção para o problema. "Garantiram-me que a questão fica resolvida durante esta madrugada, o mais tardar durante o dia de quinta-feira", afirmou. "Já disponibilizaram mais meios mecânicos para virem recolher os resíduos e já estão a fazê-lo".

A falta de recursos para a prestação do serviço por parte da SUMA é, aliás, apontada pelo administrador do MARL. "Faltam pessoas, máquinas e viaturas", diz. Mas esse não é o único problema. "O que a empresa me diz é que os custos que têm alocados ao contrato são manifestamente maiores do que a prestação que nos cobram", refere Gonçalo Almeida Velho. O contrato entre o MARL e a SUMA terminou em dezembro do ano passado, mas foi prorrogado enquanto decorre um concurso internacional público para a contratação de um novo prestador de serviços, explica o administrador.

O responsável do mercado faz questão de frisar que além dos problemas na recolha do lixo, nesta altura do ano "há uma anormal produção de resíduos" o que agrava a situação. "É a altura de frutas pesadas, como o melão, a melancia, meloa. O peso é maior e a recolha não é tão fácil como deve ser normalmente. Mas isto não justifica tudo", confessa.

Mau cheiro do lixo acumulado que vem acompanhado de moscas e mosquitos

Carla Borges, denuncia no Facebook uma "situação catastrófica" e afirma que o lixo já é "impedimento à normal circulação de veículos e às cargas e descargas nos respetivos pavilhões" do mercado. Em conversa com o DN fala no mau cheiro que se faz sentir junto aos contentores do lixo e do lixo que não é retirado. "Não estamos a falar de resíduos secos, paletes vazias, madeiras, mas também de fruta e legumes deteriorados. A apodrecer ao calor", relata.

Colegas de trabalho e clientes deparam-se com aquela realidade, que, segundo diz esta trabalhadora, existe há alguns meses. "Como se sabe a acumulação de lixo origina o aparecimento de pragas, ratos, baratas", alerta." É bastante preocupante". Carla Borges afirma que "moscas e mosquitos é coisa que já aparece". "O cliente não sabe se aquilo advém do produto fresco que está em condições ou se do lixo que está à porta", relata.

Alguns operadores e clientes não cumprem normas de higiene, diz administrador

Gonçalo Almeida Velho garante que não está em causa a saúde pública nem a segurança dos produtos vendidos. "São restos que são atirados para o chão", assegura o administrador que além de lamentar as falhas na empresa de recolha de resíduos critica o comportamento de quem passa pelo MARL. "Também há aqui por parte de alguns operadores e alguns utentes do mercado o completo desrespeito pelas normas básicas de higiene. Quando digo operadores não estou a responsabilizá-los. A competência de limpar o mercado é da SUMA. A responsabilidade é do mercado", sublinha.

A ajudante do produtor de hortícolas refere também que muitas vezes "são coisas que não chegam a sair do vendedor, deterioram-se e são jogadas ao lixo, já não têm aproveitamento possível". Noutras situações, "são mesmo clientes que trazem restos da loja que não venderam, que não se encontram em condições, e em vez de vazarem noutro sítio retornam ao MARL. Quando vão carregar, lá vazam no chão e nos contentores", relata Carla Borges que tem constatado um decréscimo na prestação dos serviços de limpeza no mercado.

"O aumento expressivo da quantidade de resíduos produzidos na atual época do ano, associado aos normais imprevistos operacionais, foram os fatores que estiveram na origem da situação relatada, cuja resolução se encontra em curso, sendo previsível a sua total conclusão até à manhã do dia 30 de maio", justificou a empresa SUMA em resposta escrita ao DN.

No ano passado, de acordo com Gonçalo Almeida Velho, o MARL teve uma produção de mais de seis mil toneladas de resíduos.

Atualizado às 10:30 com resposta da empresa SUMA.

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